Depois de reagir a uma pergunta sobre a decisão do Governo, que se limita à redução temporária do imposto (ISP) para os combustíveis, quando podia agir nos limites da margem de lucro dos grandes grupos económicos, o líder do Mibel foi questionado, numa entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, sobre se faz sentido o executivo aplicar também um imposto temporário sobre os lucros excessivos das empresas de energia.
A questão surge no âmbito do aval dado por Bruxelas, , na semana passada, à proposta de aplicar um imposto temporário sobre os lucros extraordinários das empresas de energia. O que Pedro Amaral Jorge admitiu ter «muita dificuldade em entender». «Porque eu não sei o que é um lucro excessivo», argumentou no início da resposta, em que terminou a dizer «não sou de todo a favor».
No caso eléctrico, acrescentou, «temos muitas horas do dia com o preço do mercado diário a zero, e os operadores de electricidade continuam a oferecer essa potência ao mercado. Não estou a ver onde é que eles possam virater lucros excessivos. Do ponto de vista de todo o ecossistema eléctrico, eu não consigo entender onde é que os lucros excessivos possam estar».
O responsável escuda-se no argumento de as empresas terem «estratégias diferentes de investimento», admitindo que «se calhar investem em geografias distintas e tudo isso tem de ser analisado num conjunto», de defendendo a necessidade de caracterizar o que é um lucro excessivo. Mas também nas pontuais «perdas excessivas» destas empresas.
Hoje, dia em que a entrevista faz a manchete do Negócios, ficámos a saber que, à boleia da subida especulativa do preço do petróleo, fruto da guerra travada pelos EUA e por Israel contra o Irão, os lucros da Galp dispararam para 272 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, mais 41% do que no mesmo período do ano passado.
Sobre a EDP, ainda não são conhecidos resultados deste período, mas sabe-se que a empresa registou um lucro de 1150 milhões de euros em 2025, no que constituiu um aumento de 44% face ao ano transacto. Foi igualmente no ano passado que a eléctrica resolveu interromper a negociação das carreiras profissionais, tendo avançado com a denúncia do Acordo Colectivo de Trabalho assinado em 2014.
Também a espanhola Endesa registou um aumento de 16,4% dos lucros em 2025, para 2198 milhões de euros no ano passado, um aumento de 16,4% face ao período anterior.
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