|eleições presidenciais

Está tudo difícil, mas sem ilusões, domingo é preciso votar contra o fascismo

A situação não está fácil, as populações estão confrontadas com uma catástrofe à qual se associa o desmantelamento das funções sociais do Estado promovido pelo consenso neoliberal mas, apesar de tudo, a ameaça da extrema-direita está aí e domingo temos que a derrotar.

Os tempos estão perigosos. Analisando friamente a situação, a conjuntura está favorável para que a extrema-direita, aquela que cresce no ressentimento e na sensação de abandono, possa cavalgar a insatisfação. André Ventura é um perigo real. Não apresentou nenhuma solução para os problemas na vida das pessoas, mas antes instrumentalizou-os.

Sabemos de antemão que as sondagens não são de fiar. A margem de distância de António José Seguro para André Ventura pode dar uma falsa sensação de que «isto está ganho», mas não está. As sondagens não são votos nas urnas, falham constantemente, criam narrativas e o que está em jogo não nos pode dar margens para falhar. 

Está colocado ao povo um desafio hercúleo. Uma parte da população está a braços com uma catástrofe, milhares de pessoas ficaram sem tecto e sem chão, os prejuízos são incalculáveis e do Governo há uma total incapacidade de resposta. A ida à urnas no domingo pode, neste momento, não parecer uma prioridade, e é compreensível que muita gente a veja assim, mas se o presente é já negro, o futuro pode ficar pior. 

Até domingo tem de haver esse trabalho de consciencialização. Temos, colectivamente, que explicar que André Ventura incorpora um projecto que iria aprofundar o ataque às funções sociais do Estado que já hoje estão a falhar. Um projecto descarado de saque ao SNS e à Escola Pública, mas não só. Um projecto de borlas fiscais aos grandes grupos económicos que, em momentos como estes, retiram ao Estado o dinheiro que tanta falta faz na ajuda às populações. 

Sim, é certo que um voto em António José Seguro não representa a ruptura com a política dos sucessivos governos, mas é o mecanismo para que, para já, se derrote uma pessoa que incorpora um projecto de retrocesso social. André Ventura já deu provas que é o pior que o sistema tem. 

Enchendo a boca com o combate à criminalidade criou um partido que serve de plataforma para a prática dessa mesma criminalidade, porém o perigo não reside somente aí. Reside no projecto político que representa, no ataque à Constituição da República e a todas as garantias constitucionais que foram conquistadas a pulso com a Revolução de Abril, com a derrota de 49 anos de fascismo. 

Derrotar André Ventura no domingo não pode, por essa mesma razão, ficar pelo voto. Passa necessariamente pelo desenvolvimento da luta contra a política que nos colocou onde estamos e à qual Ventura recorre para crescer. 

Pode ser difícil, mas não desmobilizes no domingo. Vota contra o ódio, vota contra o racismo, vota contra a xenofobia, vota contra a exploração, vota contra o desmantelamento das funções sociais do Estado. Canaliza essa revolta de forma consequente e, depois de domingo, dá continuidade a esse voto, na luta. 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui