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27.º Congresso Nacional do CDS-PP

Cristas quer ser primeira-ministra

Assunção Cristas foi reeleita presidente do CDS-PP. No discurso de encerramento do congresso, afirmou querer tornar o seu partido uma «primeira escolha». As reacções de outros partidos foram variadas. «Os Verdes» caracterizaram o congresso como «uma grande acção de maquilhagem».

Assunção Cristas durante o 27.º Congresso Nacional do CDS-PP, em Lamego (distrito de Viseu)
Assunção Cristas durante o 27.º Congresso Nacional do CDS-PP, em Lamego (distrito de Viseu)CréditosPaulo Novais / Agência LUSA

Assunção Cristas, que, em entrevista ao Expresso, afirmara ver-se «como primeira-ministra», insistiu na tónica no discurso de encerramento do 27.º Congresso, que decorreu ontem e hoje em Lamego e ficou marcado, logo a abrir, pela homenagem a Adriano Moreira, ex-presidente do CDS e ministro do Ultramar de Salazar.

«Quem não acredita no Partido Socialista, quem não se revê nas esquerdas encostadas, tem uma escolha clara, uma escolha segura, uma escolha inequívoca. E essa é só uma: nós, o CDS», disse, citada pela Lusa, aparentando fortaleza e confiança para a cobertura mediática em peso e deixando parecer que dali, de Lamego, até ao PS há serras intransponíveis – até porque, disse-o, anda «encostado à esquerda radical», que é como quem diz: BE e PCP, tudo num saco metido.

A Rui Rio, do PSD, deixou «uma palavra especial» e falou de um «partido amigo», mas nem por isso deixou de reafirmar que na direita quer mandar o CDS. E sabe-se que andam por aí ventos de feição. Disse Cristas ser «possível» transformar o CDS-PP na grande alternativa à esquerda: «Acreditem porque é possível», insistiu, alegando que «o CDS é o partido mais apto a governar o nosso Portugal».

O nosso Portugal. Um país para o qual Cristas diz que o CDS-PP é «a escolha sensata», a «opção dos que rejeitam o socialismo» e não querem o Governo de António Costa. Um país para o qual o CDS-PP tem propostas prioritárias aos mais variados níveis – como demografia, território, inovação, igualdade de género –, hoje apresentadas pela boca da sua presidente, que se mostrou preocupada com a «degradação dos serviços públicos básicos, como a saúde ou a educação», e voltou a falar dos incêndios deste Verão e das falhas «redondas» do Governo de Costa.

Ficou-se a saber que Nuno Melo vai encabeçar a lista do CDS-PP às eleições para o Parlamento Europeu do próximo ano; que João Rebelo será coordenador autárquico; que a equipa coordenada por Adolfo Mesquita Nunes para a elaboração do Programa Eleitoral do partido incluirá o poeta e comentador Pedro Mexia e Nádia Piazza, que lidera a Associação de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande.

Um «misto» de reacções

Rui Rio, que capitaneou a delegação do PSD em Lamego, disse à Lusa que a «doutora» Assunção Cristas «fez o seu papel» ao apresentar o CDS-PP como primeira alternativa ao PS, mas assegurou que é o melhor candidato a primeiro-ministro em 2019. Acrescentou que o «ponto fundamental» é «chegar a 2019 e estar em condições de ganhar as eleições legislativas» e, depois, se «for necessária uma coligação, seguramente que cá estaremos para isso».

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, esteve em Lamego em representação do Governo e defendeu o actual rumo do País, afirmando que «está "muito melhor" com o Governo PS do que quando Assunção Cristas era ministra». Quanto ao objectivo almejado pela líder da direita de ser «a primeira escolha» nas próximas legislativas, disse encará-lo «com naturalidade e respeito».

Também presente em Lamego, Miguel Martins, dirigente nacional do Partido Ecologista «Os Verdes», afirmou que o congresso foi «uma grande acção de maquilhagem» da acção governativa do CDS-PP entre 2011 e 2015.

Em declarações aos jornalistas, Miguel Martins lembrou as responsabilidades do CDS nas «políticas de austeridade que foram aplicadas no país». «Falou-se aqui de propostas políticas para o interior e aquilo que verificámos nos anos em que o CDS esteve no governo é que fomentou políticas de despovoamento do interior, cortes nos salários e nas pensões, tudo políticas que fizeram com que a emigração subisse para valores nunca vistos em democracia», criticou.

Por seu lado, Jerónimo de Sousa, secretário-geral dos comunistas, falando num comício comemorativo do 97.º aniversário do PCP na Maia, também se referiu ao congresso de Lamego, tendo afirmado que o CDS, que no congresso «estava a bater com a mão no peito em relação à saúde», «devia prestar contas» porque votou contra o fim das taxas moderadoras e o acompanhamento de doentes não urgentes.

 

Com agência Lusa

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