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Aumento do desemprego não se pode esconder com «ocupados»

O número de inscritos no IEFP não pára de crescer e se se tiver o número de desempregados que são retirados das contas oficiais por estarem «ocupados», a taxa de desemprego é hoje de, pelo menos, 10,9%.

CréditosRodrigo Baptista / Agência LUSA

Mais de um ano após o início da pandemia no País, o nível de desemprego tem registado um aumento preocupante. Circunstância que revela que as medidas mitigadoras tomadas pelo Governo foram importantes, mas insuficientes.

Veja-se que o desemprego registado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) atingiu no total do País, no passado mês de Março, 432 851 trabalhadores, mais 1008 desempregados em relação ao mês de Fevereiro passado (+0,2%) e mais 89 090 do que em Março do ano passado 2020 (+25,9%).

Este é o número mais elevado de desempregados inscritos no IEFP  desde Abril de 2017. Não obstante, este número revela apenas aqueles trabalhadores que se encontram registados nos centros de emprego, não estando nestas contas aqueles que estão «ocupados» em formações profissionais, nem tão pouco os muitos milhares que não estão registados.

De facto, um dos dados revelantes a considerar nesta equação é o número de «ocupados». São trabalhadores que estão integrados em programas de emprego ou formação profissional e que correspondiam no mês de Março passado a 114 146, mais 2611 do que em Fevereiro (+2,3%) e mais 29 899 do que em Março de 2020 (+35,5%).

Ora, este é o número mais elevado de ocupados por programas do IEFP desde o início de 2019. Assim, se somarmos aos desempregados registados nos centros de emprego o número de «ocupados», concluímos que, de acordo com os dados do IEFP, em Março estavam desempregadas 546 997 pessoas.

Por um lado, os números do desemprego mensalmente disponibilizados pelo IEFP não reflectem a totalidade do desemprego no País, uma vez que há muita gente desempregada que não está registada. Por outro, o número de desempregados retirados dos dados do IEFP permite concluir que a taxa de desemprego é hoje de, pelo menos, 10,9%. Número consideravelmente superior aos 6,9% das estatísticas oficiais e muito mais próximo da chamada taxa de subutilização do trabalho.

Continua a aumentar o número de casais desempregados

O número de casais com ambos os elementos inscritos nos centros de emprego aumentou 18,1% em Março  (+1069 casais) do que no mês homólogo de 2020 e mais 1% (+72 casais) em relação ao mês anterior. No total são já 6971 casais nesta circunstância.

De acordo com o IEFP, do total de desempregados casados ou em união de facto, 13942 (8,6%) têm também registo de que o seu cônjuge está igualmente inscrito num centro de emprego.

Recorde-se que o IEFP começou a divulgar informação estatística sobre os casais com ambos os elementos desempregados em Novembro de 2010, altura em que havia registo de 2862 destas situações.

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