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Após três mortes por atraso do INEM, Montenegro diz que caos no SNS é uma «percepção»

Na inauguração da sede da Direcção Executiva do SNS, no Porto, o primeiro-ministro alegou que a «percepção de caos» no SNS «não é a realidade». Um dia antes, a mesma Direcção impôs limites à contratação de profissionais nas unidades locais de saúde.

CréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

Depois de anunciar a compra de ambulâncias que afinal tinham sido encomendadas e de anunciar o Hospital do Algarve pela terceira vez como se de um anúncio inédito se tratasse, Luís Montenegro optou por atacar aqueles que apontam ao evidente caos no SNS.

Na inauguração da sede definitiva da Direcção Executiva do SNS, no Porto, o primeiro-ministro pautou o seu discurso pelo ataque, defendendo que existe uma «absoluta desproporção» entre a percepção pública e a realidade do serviço público de saúde. 

Depois de se registarem três mortes na passada semana por atrasos do INEM, sucederem-se os serviços de urgência encerrados e as várias horas de espera até à primeira observação, segundo Luís Montenegro, o que há é «uma percepção de caos» na Saúde que «não é realidade». 

É neste quadro que foi hoje divulgado que, de acordo com a rede europeia EUROMOMO, na última semana do ano Portugal tinha um excesso de mortalidade «muito elevado». com o frio e gripe a serem as explicações dadas pela DGS e pelo INSA.

Para Luís Montenegro, o alegado sucesso da sua governação está nos números isolados. O chefe do Executivo alega que os «150 mil atos diários dos profissionais do SNS» desmentem os partidos de esquerda, considerando a sua visão um «insulto» e que estão «fora da realidade».

Em resposta, pelo PCP, Paulo Raimundo defendeu que a declaração do chefe do Governo vem em linha com um Executivo «apostado em desmantelar o SNS e em fazer da Saúde um grande negócio para um conjunto pequeno de grupos privados». «E, portanto, introduz nesta discussão a ilusão, a propaganda, a roçar a mentira», acusou o comunista, em declarações à agência Lusa.

Já pelo PS, José Luís Carneiro considerou que Luís Montenegro está «completamente desligado do país» e «descolado da realidade». «Quando o primeiro-ministro diz que não há problemas na saúde, isto só pode ser justificado com uma insensibilidade e com o facto de alguém ter descolado da realidade já há muito tempo», afirmou. 

As declarações de Luís Montenegro surgem depois da Direcção Executiva do SNS ter informado as unidades locais de saúde de que nos anos de 2025 e 2026, em conjunto, estas não poderão aumentar o número de trabalhadores em mais de 2,4% face aos que estavam activos a 31 de Dezembro de 2024, nem ultrapassar os respectivos orçamentos de despesa com pessoal.

Basicamente, a Direcção Executiva do SNS está a dizer que, ante todas as dificuldades, as unidades locais de saúde não poderão reforçar-se e, desta maneira, está a contribuir para o asfixiamento do serviço público.

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