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Há quase dois anos que foi prometido o plano de emergência para a saúde em 60 dias

Num discurso proferido em Janeiro de 2024, durante a convenção da AD, Luís Montenegro comprometeu-se a apresentar, nos primeiros 60 dias de Governo, um «plano de emergência» para a saúde. No primeiro dia de 2026, doentes classificados como muito urgentes no Santa Maria aguardaram em média 13 horas e 46 minutos para primeira observação.

CréditosAndré Kosters / Agência Lusa

O objectivo declarado era ambicioso: acabar com as listas de espera que excedem os prazos máximos e garantir médico de família a todos os utentes. No entanto, já na segunda legislatura, o plano prometido nunca chegou, deixando um vazio na resposta a uma das áreas mais críticas do país.

O compromisso assumido por Montenegro era específico e assentava em três eixos principais: a redução dos prazos para consultas de saúde familiar, incluindo a teleconsulta; o recrutamento de médicos e enfermeiros através dos sectores privado, cooperativo e social; e uma redefinição das urgências hospitalares. 

Para as urgências, foi prometido «assegurar um atendimento no próprio dia, quando se trate de doença aguda». No entanto, os tempos de espera excessivos registados nas últimas semanas em várias unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) parecem indicar que muito pouco mudou no terreno desde que essas promessas foram feitas.

A situação nas urgências tem sido particularmente preocupante. A título de exemplo, os doentes urgentes chegaram, este domingo, a esperar mais de 24 horas para serem atendidos na urgência geral do Hospital Amadora-Sintra. Já ontem, no primeiro dia de 2026, doentes classificados como muito urgentes no Santa Maria aguardaram em média 13 horas e 46 minutos para primeira observação.

Esta realidade contrasta fortemente com o tom urgente e resoluto do discurso de campanha, no qual era prometida uma acção rápida e eficaz. A ausência do anunciado plano de emergência que o Governo prometeu implementar para inverter este cenário pode indicar que nos planos da AD sempre esteve, afinal, o desmantelamento do SNS garantido através da degradação dos serviços. 

Para já o que se sabe é que, enquanto que, segundo uma sondagem da Intercampus, quase 60% dos portugueses defendem a demissão da ministra da Saúde, a acção de Ana Paula Martins tem sido no sentido de demitir direcções hospitalares. Na última semana do ano o Governo demitiu a administração da ULS São José, em funções há seis anos, liderado por Rosa Valente Matos. Para o lugar desta foi nomeado Miguel Paiva, militante do PSD.
 

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