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20 anos depois, o euro entre a realidade e a propaganda

«O euro não foi feito para Portugal. Foi feito à medida das necessidades e dos interesses do capital financeiro, das multinacionais europeias, da capacidade produtiva e exportadora da Alemanha».

João Ferreira, membro da Comissão Política e antigo deputado no Parlamento Europeu pelo PCP 
CréditosFernando Veludo / Agência Lusa

Este é um sublinhado de João Ferreira, numa declaração que assinala a passagem dos vinte anos «desde que entraram em circulação as moedas e notas de Euro».

O antigo eurodeputado do PCP, recorda, entre outras, as promessas desfeitas pela realidade: «da melhoria dos salários e do poder de compra dos portugueses, de convergência com os países com salários mais elevados». Pelo contrário, em Portugal assistiu-se à degradação dos salários e do poder de compra, nomeadamente com a limitação de salário mínimo nos 705 euros, quando, por exemplo, na Alemanha o salário mínimo atingirá «em breve os 2000 euros».

Quanto ao salário médio, no nosso País «está pouco acima dos 1000 euros», enquanto na Zona Euro «esse mesmo salário anda em média nos 1900 euros».

O dirigente comunista afirma ainda que «as consequências do Euro foram, e continuam a ser, desastrosas para Portugal e para o povo português», com a redução do «crescimento económico nacional a menos de um quarto», a recessão, a estagnação e «uma grande insuficiência de crescimento».

Para João Ferreira, o Euro em vez de colocar Portugal «no “pelotão da frente”, como anunciava a propaganda», coloca-o «cada vez mais na cauda da Europa», sem convergência com a média europeia e «muito menos com os países mais avançados». Nesse sentido, considera que Portugal precisa de uma moeda própria que promova o investimento, «a modernização do aparelho produtivo, a diversificação do comércio externo, a eficiência dos serviços públicos, o aumento dos salários e a qualificação dos trabalhadores».

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