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Uma auxiliar para 86 alunos, pais fecharam escola a cadeado

Os pais do Centro Escolar do Tramagal, no concelho de Abrantes, defendem que, vez de se basear nos rácios, o Ministério da Educação deveria «basear-se nas carências reais de cada escola». 

Créditos / Pixabay

O Centro Escolar de Tramagal foi hoje fechado a cadeado pelos pais dos cerca de 80 alunos em protesto pelo «número insuficiente de assistentes operacionais» e pela «falta de segurança e acompanhamento» das crianças.

«Os pais revoltaram-se e fecharam hoje a escola a cadeado porque só há uma auxiliar para 86 alunos e estamos preocupados com a segurança dos meninos, com a falta de limpeza das instalações e com o acompanhamento nas refeições e no recreio, tudo devido a um défice de pessoal operacional», disse à agência Lusa a presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação, Sandra Sobral.

«Não terá sido a decisão mais fácil ou a pretendida pelos pais que gostariam que a mesma não tivesse sido necessária», disse Sandra Sobral, tendo feito notar o seu apoio à decisão tomada de fechar o Centro Escolar de Tramagal, no distrito de Santarém.

Aquela escola conta com duas auxiliares, mas apenas uma está a trabalhar porque a colega está de baixa.

Hoje, quando chegaram ao Centro Escolar, pelas 7h30, as duas funcionárias das Actividades de Tempos Livres (ATL) do pré-escolar, que são pagas pela Associação de Pais, depararam-se com o portão principal da escola fechado a cadeado e com um cartaz onde se podia ler: «Queremos funcionárias! Não há condições».

Chamada ao local, a GNR rebentou com os cadeados e abriu os portões cerca das 9h30, tendo os encarregados de educação recusado a entrada dos seus educandos no estabelecimento de ensino, defendendo junto de autarcas e professores presentes que se encontre uma solução para o problema.

A acção de hoje, frisou Sandra Sobral, representa o «culminar de uma situação que se vem arrastando desde o início do ano», tendo feito notar que, «apesar dos esforços feitos pela Associação, que chegou a deslocalizar uma funcionária do ATL, paga pelos pais, para o Centro Escolar», a mesma «não pode solucionar o que compete ao Ministério» da Educação.

«Estando aberto concurso para colocação de assistentes operacionais, foi o mesmo cancelado pelo Ministério, deixando o problema da falta de assistentes operacionais se arrastar», afirmou.

Sandra Sobral fez notar que o Centro Escolar de Tramagal «conta com 86 alunos, tendo duas auxiliares que, além da segurança e guarda dos alunos, têm de zelar pelo bom funcionamento da escola, acompanhamento das crianças e outros serviços», como limpezas, abertura dos portões da escola e acompanhamento nas refeições.

«O Ministério da Educação baseia-se no seu sistema de rácios quando se deveria basear nas carências reais de cada escola», defendeu, tendo reiterado que o fecho do estabelecimento de ensino foi uma acção de «último recurso», em virtude da falta de soluções para a resolução do problema.

Contactado pela Lusa, o professor e director do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, Alcino Hermínio, reconheceu que «existe um problema», tendo remetido informações sobre o processo para depois de uma reunião que vai ter com os pais das crianças, ao final do dia de hoje.


Com Agência Lusa

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