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Rio Sorraia: dique agravou praga que ameaça pesca e biodiversidade

Pescadores e associações não vêem solução imediata para a praga de jacintos do curso de água, o qual tem sido vítima de abandono ao longo dos anos e cuja situação se agravou com o «bloqueio do rio».

Açude construído no rio Sorraia.
Açude construído no rio Sorraia.Créditos / rederegional.com

O rio que passa pelos concelhos de Coruche e Benavente, no distrito de Santarém, tem a sua fauna e flora ameaçadas por uma praga de jacintos de água.

As populações e os pescadores têm trazido a questão a público individual e colectivamente e afirmam, em declarações à Lusa, que a situação que se vive assenta no abandono do rio ao longo dos anos e também no «bloqueio do rio».

No Plano de Remoção do Jacinto de Água do rio Sorraia, a que a mesma agência se refere, um exemplar consegue, no prazo de um mês, originar 50 a 70 novos jacintos.

Com a construção de um açude pela Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira – que se erigiu com a fundamentação da necessidade de se criar uma represa com água doce porque a produção agrícola, em particular os arrozais, estava em risco com o elevado nível de salinidade – a situação veio a piorar, denunciam os pescadores e populares.

A Comissão de Utentes do Concelho de Benavente (CUCB) já tinha vindo, num comunicado feito na sequência da construção do dique, manifestar a indignação das «populações ribeirinhas e da [sua] apreensão pelos impactos ambientais na fauna e flora existentes num percurso sensível».

Nesse comunicado, informou ainda ter questionado o corte realizado no rio à Associação Portuguesa do Ambiente (APA), ao Ministério do Ambiente e à Procuradoria-Geral da República, assim como exigiu conhecer o projecto para desfazer o talude e o «estado em que a entidade dona da obra se compromete a deixar o leito do rio».

A praga tornou impraticável a navegação no rio, as redes de pesca ficam presas, e está impossibilitada a captação de água para a agricultura, pondo em causa estas actividades profissionais.

Em pergunta ao Governo no passado mês de Julho, António Filipe, deputado do PCP, já tinha colocado a preocupação com as denúncias das populações com o «corte do Rio Sorraia efectuado a cerca de um quilómetro e meio a montante do Porto Alto (concelho de Benavente)». O deputado quis saber «que medidas vão ser tomadas [pelo Governo] para impedir as consequências ambientais do corte do rio Sorraia».

O presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), em declarações à Lusa, afirmou que não se pode dizer que foi «um açude que potenciou» esta situação, que é agora «de grande urgência». «Esta praga de jacintos não é nova», disse, tendo ainda explicado que «um pequeno foco de jacintos» consegue multiplicar-se em pouco tempo.

Pelo contrário, a sua remoção deverá ser demorada no tempo, «seguramente irá levar semanas, meses, para conseguirmos fazer esta remoção», o que implica «mais de um milhão de metros cúbicos de jacintos que estarão a cobrir o rio nesta altura».

Francisco Oliveira (PS), presidente da Câmara Municipal de Coruche, afirma que estes problemas também assentam «no clima de seca ou, pelo menos, de menos caudal».

A APA irá acompanhar a remoção dos jacintos, a qual deverá começar no próximo dia 27 de Agosto.


Com agência Lusa

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