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Iemenitas exigem fim do bloqueio saudita e lamentam «silêncio» da ONU

A Empresa Petrolífera do Iémen (YPC) criticou a «inacção» das Nações Unidas face ao bloqueio que a coligação liderada pelos sauditas impõe ao país, devastado pela guerra e afligido pela pobreza.

Navio no porto de Hudaydah (imagem de arquivo)
Navio no porto de Hudaydah (imagem de arquivo) Créditos / parstoday.com

Participando num protesto que teve lugar esta segunda-feira junto à representação das Nações Unidas em Saná, Essam al-Mutawakel, porta-voz da Empresa Petrolífera do Iémen (Yemen Petroleum Company; YPC), lamentou que a ONU mantenha «o silêncio e a falta de acção» no que respeita à pressão necessária a exercer sobre os sauditas para libertarem os navios que apreenderam com rumo ao Iémen, carregados com derivados de petróleo.

Al-Mutawakel exigiu o levantamento imediato do cerco «brutal» imposto ao país, bem como o fim da apreensão dos petroleiros que tinham largado das costas iemenitas numa «busca desesperada pela sobrevivência», tendo em conta a grande falta de combustível com que o Iémen se debate, informa a PressTV.

O funcionário da YPC afirmou também que as Nações Unidas deviam assumir medidas imediatas para levantar, o mais depressa possível, o bloqueio saudita ao Aeroporto Internacional de Saná e ao terminal petrolífero de Ras Isa.

Dois navios, carregando petróleo e gasóleo, ancoraram em portos iemenitas nos dois últimos dias e um outro navio, com gasolina, deve chegar ao país nos próximos dias, revelou, sublinhando que a «apreensão arbitrária de navios ao largo da costa do Iémen, em diferentes períodos, aumentou as taxas de demurrage [sobre-estadia] em cinco mil milhões de riais iemenitas».

Na concentração em Saná, al-Mutawakel disse ainda que «deve existir uma distinção clara entre as questões militares e as humanitárias», refere a fonte, tendo destacado que a coligação liderada pelos sauditas «não pode tirar proveito do sofrimento do Iémen para fazer avançar a sua agenda».

A YPC tem denunciado de forma reiterada a «pirataria» levada a cabo pelos sauditas no Mar Vermelho, sublinhando que a Arábia Saudita confiscou ilegalmente os navios que se dirigiam para o Porto de Hudaydah – carregados com derivados de petróleo, gás natural, comida e medicamentos –, uma vez que estes possuíam as autorizações internacionais devidas, adquiridas no Djibuti de acordo com o Mecanismo de Inspecção e Verificação das Nações Unidas para o Iémen (UNVIM, na sigla em inglês).

Apoiada pelos EUA, o Reino Unido e outras potências ocidentais e regionais, a Arábia Saudita lançou, em Março de 2015, uma grande campanha militar de agressão contra o Iémen, tendo por objectivo suprimir a resistência do movimento Huti Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade, sem sucesso.

A agressão militar provocou milhares de mortos, feridos e deslocados, e esteve na origem da mais grave crise humanitária dos tempos modernos, segundo as Nações Unidas.

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