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Trabalhadores em greve contra privatização da Petrobras

A greve começou à meia-noite de hoje e deve prolongar-se por 72 horas. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirma que se trata de um aviso à política equivocada da actual administração.

Trabalhadores em greve frente à refinaria de Araucária, no estado do Paraná (Sul do Brasil)
Trabalhadores em greve frente à refinaria de Araucária, no estado do Paraná (Sul do Brasil)Créditos / CUT

A administração da Petrobras, liderada pelo contestado Pedro Parente, entrou ontem com uma acção contra a greve junto do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que foi aceite, tendo o tribunal considerado que a luta é «abusiva» e «realizada para incomodar». A FUP denunciou que tanto a Petrobras como o TST não cumprem a Lei de Greve.

De acordo com o Brasil de Fato, em caso de desrespeito pela decisão do tribunal os sindicatos que integram a FUP terão de pagar uma multa diária de 500 mil reais, mas a greve está de facto a ser realizada e, segundo refere a Rede Brasil Atual, com grande adesão.

Os promotores da greve pretendem que esta «advertência» de 72 horas chame a atenção da população para o que está em causa: conter o processo de privatização da Petrobras; alterar a política que mantém as refinarias a operar apenas a 70% da sua capacidade e promove o aumento da importação de derivados; diminuir o preço do combustível e do gás de cozinha que os brasileiros pagam.

Para tal, os trabalhadores do sector petrolífero defendem como fundamental a saída imediata de Pedro Parente, actual presidente da Petrobras, que consideram responsável pela gestão «errada» à frente da empresa, ao serviço do governo golpista de Michel Temer e dos mercados internacionais.

País a abdicar da soberania

De acordo com José Maria Rangel, coordenador da FUP, o aumento do gasóleo, da gasolina e do gás doméstico fica-se a dever à decisão adoptada na gestão de Parente, a partir de 2016, de «atrelar» os preços nacionais dos derivados aos internacionais, «quando a Petrobras tem capacidade para refinar petróleo abaixo dos custos estrangeiros».

A greve, convocada pelos sindicatos do sector, é também apoiada por diversas centrais sindicais, que se opõem a uma eventual privatização e desmantelamento da empresa estatal, de que a entrega de quatro refinarias ao capital privado é um sinal.

Afirmando que o Brasil é auto-suficiente no refinado, denunciam igualmente o facto de as refinarias estarem a operar abaixo da sua capacidade máxima, a apenas 70%, num contexto em que o país «bate recordes» nas exportações de crude e aumenta a importação de derivados refinados.

Com Temer, criticam, o Brasil abdica de soberania e coloca-se ao serviço dos accionistas internacionais.

Dia de luta em todo o país

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo expressaram apoio e solidariedade aos trabalhadores petrolíferos em greve e, numa nota conjunta, convocaram acções unitárias de apoio para esta quarta-feira.

No documento, as frentes afirmam que o aumento dos preços do combustível «se deve à política implantada por Michel Temer e Pedro Parente, que submetem o país, auto-suficiente em petróleo, às variações e interesses do mercado internacional».

«Enquanto Temer e a sua base actuam para entregar a Petrobras às empresas multinacionais, agravando o problema dos preços do gás e dos combustíveis, nós dizemos que ela [a empresa estatal] é do Brasil. É património do nosso povo e vamos continuar a defendê-la», lê-se no texto subscrito por ambas as frentes.

Afirmam ainda que o «caos» que o Brasil «vive é fruto directo da falta de democracia e de um governo ilegítimo que está de costas para o povo». Por isso, defendem, «é fundamental garantir eleições livres e democráticas com a participação de todas as candidaturas».

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