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Trabalhadores da Petrobras dizem «não» a privatizações de Temer

A Federação Única dos Petroleiros promoveu um acto nacional em defesa da Petrobras, esta terça-feira, junto à Refinaria Presidente Getúlio Vargas – uma das quatro que foram postas à venda em Abril.

Centenas de trabalhadores mobilizaram-se junto à Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, contra a privatização da Petrobras e o «entreguismo» do governo Temer
Centenas de trabalhadores mobilizaram-se junto à Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, contra a privatização da Petrobras e o «entreguismo» do governo TemerCréditos / FUP

A mobilização paralisou a actividade na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) por mais de três horas, bem como na Araucária Nitrogenados, que também se encontra em processo de privatização, segundo revelou a Federação Única dos Petroleiros (FUP) no seu portal.

O acto, de cariz nacional, foi organizado por diversos sindicatos integrados na FUP e contou com a participação de trabalhadores do sector petrolífero de todo o Brasil, reunidos na capital do Paraná, Curitiba, para levar a cabo um conjunto de actividades até amanhã, dia 19.

«Estamos a preparar-nos para o confronto»

Presente em Araucária, na Área Metropolitana de Curitiba, o coordenador-geral da FUP, Simão Zanardi, destacou a participação na mobilização de trabalhadores do sector vindos de todo o país, para afirmar que os trabalhadores da Petrobras vão «continuar a lutar contra as privatizações e contra o governo Temer».

Num contexto de golpe, em que um grupo pretende «entregar o património público» e abdicar da soberania nacional, os trabalhadores do sector petrolífero vão precisar de se «manter unidos» e de «muita luta no próximo semestre para estancar as privatizações», disse.

Lembrando as 150 punições que a Petrobras aplicou aos trabalhadores e as multas elevadas impostas aos sindicatos pelo Tribunal Superior do Trabalho, na sequência da greve de 72 horas iniciada no sector a 30 de Maio contra o aumento dos combustíveis, Zanardi valorizou a importância da luta e da organização dos trabalhadores, frisando: «Nada disso nos amedronta. Nós estamos a preparar-nos para o confronto.»

«Vivemos uma nova era de colonialismo e só o povo brasileiro poderá dizer não a isso», declarou, para vincar em seguida a urgência da mobilização dos trabalhadores do sector petrolífero, na medida em que «eles querem reduzir a Petrobras a uma exportadora de petróleo, enquanto o Brasil fica cada vez mais dependente da importação de derivados».

«Os nossos empregos estão em risco e o futuro do país também», alertou.

Várias mobilizações em Julho

O acto nacional na Repar integra-se numa série de mobilizações que a FUP e os seus sindicatos têm estado a realizar ao longo deste mês nas refinarias sob ameaça de privatização. A primeira mobilização do género ocorreu na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, no passado dia 3. Seguiu-se uma mobilização, no dia 12, junto à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. O acto nacional previsto para a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, no dia 26, encerra a agenda de lutas de Julho.

De acordo com a informação divulgada pela FUP, a Refap e Repar constituem o activo Sul da Petrobras, com sete terminais e 736 quilómetros de oleodutos. Por seu lado, a Rlam e a Abreu e Lima constituem o activo Norte, ainda com cinco terminais e 770 quilómetros de oleodutos.

«Juntas, estas quatro refinarias representam 36% da capacidade de refinação do país e são responsáveis por abastecer as regiões Sul, Norte e Nordeste, além [dos estados] de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul», revela a FUP.

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