A China encerrou o período de transição de cinco anos após a erradicação da pobreza extrema (em 2020), com o rendimento per capita disponível dos residentes em condados rurais anteriormente pobres a crescer acima da média nacional pelo quinto ano consecutivo.
O balanço foi apresentado nesta terça-feira, véspera das Duas Sessões – as reuniões políticas anuais mais importantes da China, que juntam simultaneamente a Assembleia Popular Nacional (APN) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), indica o Brasil de Fato.
Tradicionalmente realizadas em Março em Pequim, as Duas Sessões funcionam como principal espaço para delinear as prioridades nacionais, e este ano incluem a discussão do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030).
Crescimento dos rendimentos disponíveis
De acordo com os dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas, o rendimento per capita disponível dos habitantes em zonas urbanas da China atingiu 56 502 yuans (7041 euros) em 2025 (crescimento de 4,3%), enquanto o dos residentes em áreas rurais foi de 24 456 yuans (3047 euros, subida de 5,8%).
Nos condados anteriormente classificados como pobres, o crescimento ultrapassou a média nacional rural de 5,8% pelo quinto ano consecutivo, evidenciando a eficácia das políticas de consolidação pós-erradicação da pobreza.
Em conferência de imprensa, Liu Jieyi, porta-voz da CCPPC, destacou que, no período de cinco anos que terminou em 2025, todos os condados anteriormente classificados como empobrecidos passaram a contar com acesso a auto-estradas, e todas as aldeias foram ligadas por estradas pavimentadas, além de a cobertura de sinal de Internet ter chegado à totalidade das zonas rurais do país asiático, refere o China Daily.
Sistema de acompanhamento de pessoas em risco
Entretanto, em declarações à CGTN no final de Fevereiro, o ministro da Agricultura, Han Jun, destacou a criação de um sistema nacional de monitorização e assistência para identificar as famílias em risco de recair na pobreza, sublinhando que, até ao final de 2025, tinham sido acompanhadas mais de sete milhões de famílias, ajudando-as a eliminar os riscos.
Revelou ainda que, no mesmo período, mais de 30 milhões de trabalhadores oriundos de famílias que saíram da pobreza se mantiveram empregados de forma estável durante cinco anos consecutivos.
Entre os mecanismos que sustentaram estes resultados, Han apontou o da monitorização de famílias vulneráveis para intervenção precoce; o reforço da criação de emprego e rendimentos; e a mobilização institucional e social, que envolveu 310 unidades do governo central a apoiar 610 condados, 150 mil equipas de trabalho residentes em comunidades rurais, integradas por mais de 500 mil quadros, e o programa «Dez Mil Empresas Revitalizam Dez Mil Aldeias», voltado para a participação de empresas privadas.
Reconhecimento e acordos internacionais
Na conferência de imprensa desta terça-feira, Liu Jieyi destacou o reconhecimento internacional e os elogios feitos à China pelo «enorme contributo para a redução da pobreza mundial e por servir de exemplo inspirador».
Lembrou ainda que a China firmou acordos de cooperação no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota com mais de 150 países e instalou mais de 30 Ateliês Luban de formação técnica na Ásia, África e Europa.
Liu referiu-se também ao facto de o país asiático ter promovido a tecnologia Juncao – um recurso agrícola multifuncional inicialmente desenvolvido para o cultivo de cogumelos – em mais de cem países, bem como aos convites dirigidos a representantes de alguns países em desenvolvimento para visitarem a China, para ali aprenderem sobre «construção rural» e trocarem experiências sobre «governação rural e desenvolvimento industrial».
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