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Se o Labour não apoia os trabalhadores, os sindicatos não apoiam o Labour

O Unite, o maior sindicato no Reino Unido, anunciou que vai deixar de apoiar financeiramente o Labour. Já a juventude do Labour prometeu não voltar a fazer campanha por candidatos que furem um piquete de greve.

50 mil funcionários de 58 universidades no Reino Unido cumpriram três dias de greve na semana passada, apoiados por centenas de professores que não deram aulas, em solidariedade, durante esse período, Universidade de Glasgow, Escócia, 1 de Dezembro 2021
50 mil funcionários de 58 universidades no Reino Unido cumpriram três dias de greve na semana passada, apoiados por centenas de professores que não deram aulas, em solidariedade, durante esse período, Universidade de Glasgow, Escócia, 1 de Dezembro 2021Créditos / socialistworker.uk.co

A reformulação do gabinete-sombra do Labour (Partido Trabalhista Britânico), comandada, esta semana, pelo seu actual líder, Keir Stammer, marcou mais um passo na progressiva aproximação à direita do partido. A extinção do cargo de ministro-sombra para os direitos trabalhistas não deixa muitas dúvidas sobre as novas prioridades da direcção do partido: a economia, não os trabalhadores.

Embora o sindicato vá continuar a pagar as quotas da sua afiliação ao Labour, Sharon Graham, recém-eleita secretária-geral do sindicato Unite, com mais de 1,4 milhões de afiliados, não tem dúvidas de que o resto do «dinheiro do fundo político [usado pelo sindicato para financiar campanhas eleitorais], devia estar a ser melhor utilizado».

«Westminster não é o centro de tudo, há outras formas de fazer com que as coisas aconteçam, marcar o passo» de políticas laborais e sociais, que a direcção do Labour, se quiser, deve acompanhar. O fundo político será agora realocado para grandes campanhas, nacionais, regionais e locais, que beneficiem, directamente, os trabalhadores.

Graham abdicou de participar na convenção do Partido Trabalhista Britânico em Setembro, tendo escolhido dedicar-se, a tempo inteiro, a disputas laborais. «Não sei em que mundo é que eles vivem, mas não é certamente no meu, no que eu vivo as pessoas estão assustadas. Não sabem o que lhes vai acontecer, estão zangadas, em sofrimento, e a ideia de que os políticos não conseguem começar a falar sobre o que fazer é ultrajante».

O Young Labour, juventude do partido em que participam todos os militantes entre os 14 e os 26 anos, publicou um comunicado na sexta-feira a anunciar que não voltará a fazer «campanha, organizar ou angariar votos para candidatos ou deputados que não defendam os trabalhadores, que não respeitem os piquetes de greve ou não defendam o direito à luta laboral».

«Os sindicatos são o alicerce do movimento laboral e estão na linha da frente na defesa dos direitos dos trabalhadores contra patrões corruptos e governos conservadores, que causaram sofrimento a milhões de pessoas». Toda a energia do Young Labour vai ser agora dispendida na luta pela eleição de «candidatos do Labour que, explicitamente, defendam os sindicatos, respeitem os piquetes e representem, inflexivelmente, os direitos dos trabalhadores nos respectivos cargos».

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