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Racismo e crimes de ódio em crescendo denunciados em Oakland

Centenas de pessoas participaram numa marcha, em Chinatown, contra a discriminação racial e os crimes de ódio, que têm aumentado na cidade de Oakland, no estado da Califórnia e nos EUA.

Manifestantes em Nova Iorque protestam contra a violência contra a comunidade asiática, a 4 de Abril de de 2021 
Manifestantes em Nova Iorque protestam contra a violência contra a comunidade asiática, a 4 de Abril de de 2021 Créditos / ktvz.com

A mobilização, que teve lugar no sábado passado e foi co-organizada pela comunidade asiático-americana e de ilhéus do pacífico (AAPI, na sigla em inglês), a Câmara de Comércio da Chinatown de Oakland e outros organismos, contou com a participação do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e da presidente do Município de Oakland, Libby Schaaf.

«Não toleramos qualquer tipo de ódio de nenhuma raça», disse uma das organizadoras, Susan Park, citada pela NBC Bay Area. «Sempre houve ódio contra a AAPI, provavelmente muito pouco noticiado. Portanto, há muitas razões para estar aqui e expressar apoio», acrescentou.

Schaaf saudou os manifestantes em chinês, tendo afirmado que estava contente por ver que as pessoas e as comunidades tinham dado um passo para abraçar Chinatown e apoiar aqueles que tinham sido vítimas de ódio e discriminação. «Este é o nosso momento para dizer "mais não"», afirmou Schaaf.

Por seu lado, Bonta lembrou que o gabinete do procurador-geral e o Departamento da Justiça da Califórnia estavam a tomar medidas contra os crimes de ódio. «Lutamos lado a lado. Isto não é apenas um problema que a comunidade AAPI enfrenta, porque muitas outras sentiram o aguilhão do ódio na Califórnia e ao longo da história deste país», referiu.

«Demasiadas vezes, em demasiados lugares, as pessoas foram feridas, visadas e atacadas por serem quem são, de onde são ou por causa daqueles que amam. E nós sabemos que isso é errado», acrescentou Bonta, citado pela CGTN.

O actor Daniel Wu, natural de East Bay, também participou na mobilização e, ao intervir, sublinhou que aquilo a que se assiste hoje é «o resultado do ódio disseminado nos últimos oito anos a chegar ao nível da rua». «Estamos a vê-lo agora e temos de continuar a lutar contra isso», disse Wu.

Para o actor, as soluções não serão a curto prazo. Nesse sentido, insistiu que é necessária a unidade, continuar a fazer pressão «para abrir a porta contra o ódio e o racismo».

Crimes de ódio e mortes com motivação racial aumentam nos EUA

Na quinta-feira passada, numa conferência de imprensa em Oakland para a comunidade asiática, Craig Fair, agente especial do Departamento Federal de Investigação (FBI) em São Francisco, disse que, no ano passado, tinha aumentado o número de casos reportados de incidentes e crimes de ódio no país, no estado da Califórnia e na Área da Baía de São Francisco, particularmente em Oakland, indica a CGTN.

No dia seguinte, o FBI e o DHS (Departamento de Segurança Interna) apresentaram um relatório conjunto de acordo com o qual o número de mortes violentas nos EUA com motivação racial e às mãos de indivíduos extremistas tem vindo a aumentar desde 2017.

O documento, que se centra em dados obtidos entre 2017 e 2019, revela que 2019 foi «o ano mais letal» a este respeito desde 1995 – com 32 pessoas assassinadas, 24 das quais por supremacistas brancos, informa o portal ktvz.com.

No período observado, foram registadas 57 mortes relacionadas com «terrorismo doméstico», 47 das quais por motivos raciais, na sua maioria perpetradas por supremacistas brancos, que defendiam a superioridade da raça branca e que agora, refere a mesma fonte, provavelmente continuariam a constituir a principal ameaça de violência extremista doméstica.

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