Passar para o conteúdo principal

|Nicarágua

Ortega reafirmou compromisso da Nicarágua com a paz

Daniel Ortega, co-presidente nicaraguense, apelou à defesa da paz e da estabilidade no país centro-americano, face ao que descreveu como tentativas de desestabilização financiadas no estrangeiro.

Nicarágua revolução sandinista FSLN 19 de Julho mobilização
Milhares de pessoas participaram em caravanas e actividades culturais, políticas e comunitárias, para homenagear «heróis e mártires» nicaraguenses, e defender a paz, a unidade e a soberania Créditos / el19digital.com

Ao intervir este domingo à noite no acto central dos 47 anos do triunfo da Revolução Popular Sandinista, em Manágua, Ortega destacou a paz como uma das principais conquistas do povo nicaraguense.

Na presença de 50 mil pessoas, o presidente recordou a tentativa de golpe de Estado de 2018, organizada com recursos provenientes dos Estados Unidos, tendo explicado que grupos da oposição recorreram a financiamento externo para recrutar, treinar e organizar acções violentas e paralisar as actividades económicas e sociais.

A resposta das instituições do Estado permitiu restabelecer a ordem e garantir a continuidade do país, disse o dirigente sandinista, que lembrou também os «enormes esforços para que o país tenha paz», frisando que a estabilidade é essencial para que os programas sociais sejam implementados.

Neste âmbito – refere a Prensa Latina –, destacou a construção de infra-estruturas nas áreas da habitação, saúde e educação, bem como a entrega de terras a famílias de camponeses.

Ortega anunciou ainda que irá promover uma reforma legal juntamente com a Assembleia Nacional visando impedir que pessoas ou grupos que recebem financiamento estrangeiro com o propósito de desestabilizar o país possam utilizar os processos eleitorais como forma de aceder ao poder.

Em seu entender, essas reformas são fundamentais para travar «os golpistas, os vende-pátrias», por mais dinheiro que recebam dos «ianques».

«Não pensem que, porque não há guerra, estamos em paz. Eles estão sempre a conspirar, a organizar-se, a procurar formas de organizar partidos para que, numa eleição que eles imaginam, então vençam as eleições», disse, citado por el19digital.com (com vídeo).

Ortega defendeu que a Nicarágua não irá permitir o regresso ao poder de forças políticas ligadas a interesses norte-americanos e ao somozismo.

«Aqui acabou-se a história de que os partidos apoiados pelos ianques, pelos somozistas voltam ao governo. Nunca mais, nunca mais, nunca mais», frisou.

Solidariedade com Cuba e Venezuela

Noutra parte da sua intervenção, Ortega afirmou que as potências hegemónicas pretendem dominar os povos para se apoderarem as suas riquezas, e manifestou especial solidariedade para com os povos e os dirigentes de Cuba e Venezuela.

O presidente lembrou que os EUA mantêm o assédio a Cuba há mais de 60 anos e que, mesmo nessas circunstâncias, a Ilha resistiu e defendeu o seu projecto revolucionário. «O nosso respeito, o nosso abraço, a nossa saudação para o povo de Cuba, para Raúl, para Miguel Díaz-Canel», disse.

Ao referir-se à Venezuela, Daniel Ortega fez questão de mencionar o presidente Nicolás Maduro, que a administração norte-americana «mantém sequestrado», juntamente com a sua esposa, Cilia Flores, numa cadeia de Nova Iorque.

O presidente do país centro-americano classificou como «monstruosidade» as acções contra a Venezuela e questionou o silêncio de organismos internacionais perante aquilo a que chamou «agressões contra povos soberanos».

Muita festa no 19 de Julho

O acto principal das celebrações do 47.º aniversário do triunfo da revolução sandinista terminou com desfiles militares. As comemorações populares haviam arrancado logo de madrugada, com desfiles, caravanas de motorizadas e iniciativas culturais em vários pontos do país, que são uma homenagem a «heróis e mártires» da gesta sandinista.

A 19 de Julho de 1979, a guerrilha da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e o povo nicaraguense que a apoiou entraram na capital e consolidaram o triunfo revolucionário sobre a exploração e a miséria de mais de quatro décadas de ditadura militar somozista.

Em simultâneo, o governo e a militância sandinista aproveitam a efeméride para analisar as grandes transformações da realidade nacional nas duas etapas de governação revolucionária (1979-1990 e de 2007 até hoje), com destaque para o combate ao analfabetismo, a reforma agrária, a gratuitidade dos serviços essenciais, o desenvolvimento de uma das redes hospitalares mais modernas e sólidas da região.

Outros avanços destacados pelo executivo sandinista situam-se em âmbitos como a educação pública, a habitação, a cobertura eléctrica do país, o desenvolvimento da infra-estrutura rodoviária, o reconhecimento das minorias e a igualdade de género.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui