Aproximadamente 846 mil alunos deram início ao novo ano escolar, em 2537 escolas públicas, privadas e da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (Unrwa) na Cisjordânia e em Jerusalém ocupadas, num contexto marcado por riscos crescentes, sobretudo em zonas onde as escolas enfrentam ameaças de demolição ou de encerramento, ou se localizam perto de colonatos e de postos de controlo militar.
Ainda assim, refere o portal palinfo.com, os alunos na localidade de Aqaba, a norte de Tubas, tiveram de adiar o regresso às aulas, no contexto da agressão de que a cidade tem sido alvo. Já em Nablus, as forças de ocupação invadiram as escolas de Huwara e Burqa, levando a que as aulas fossem interrompidas durante horas.
Ameaças de demolição
Em zonas sob controlo da ocupação, a escola não é apenas um local para aprender e passa a ser um símbolo de resistência face a políticas que visam obrigar a população palestiniana a abandonar as suas terras, destaca a fonte, lembrando que, em diversas partes da Cisjordânia, as escolas correm o risco de ser demolidas.
O pretexto utilizado é o de não terem obtido os alvarás de construção emitidos pelas autoridades da ocupação, numa altura em que é difícil para os palestinianos obterem essas licenças.
A situação agrava-se nas comunidades beduínas e rurais, onde a demolição ou o encerramento da escola obrigam os alunos a percorrer distâncias maiores para chegar a outras escolas, prejudicando a frequência regular das aulas, sobretudo das crianças mais novas.
Na província de Tubas e Vale do Jordão Norte, a Direcção da Educação escolheu a Escola Primária Mista de Atoof para a abertura do ano lectivo, numa mensagem com significado para além da ocasião educativa em si mesma, uma vez que a escola se encontra numa zona sujeita a constantes ataques e tentativas de obrigar os seus habitantes a abandonar as suas terras.
Azmi Balawneh, responsável pela Educação em Tubas, afirmou que a escolha desta escola representou um desafio, referindo-se à continuidade do processo educativo apesar das condições que a região enfrenta.
Invasões militares e ataques
As incursões militares e os ataques contra alunos e professores constituem um factor adicional de ameaça à regularidade do processo educativo em várias partes da Cisjordânia, onde os postos de controlo, as incursões e o encerramento de escolas se tornam obstáculos diários no acesso à educação.
Os alunos não são os únicos a sofrer com estas condições; os professores também se deparam com estradas fechadas, postos de controlo e atrasos para chegar aos seus locais de trabalho, enquanto as escolas localizadas em «zonas de tensão» são obrigadas a lidar constantemente com a possibilidade de evacuação ou interrupção das aulas.
De acordo com o Ministério palestiniano da Educação, mais de 54 mil professores supervisionam o processo educativo na Cisjordânia e em Jerusalém ocupadas, 40 747 dos quais em escolas públicas, 11 578 em escolas privadas e 1871 em escolas da Unrwa.
O número de alunos nas escolas públicas atinge os 634 294, distribuídos por 1967 estabelecimentos de ensino, enquanto 163 787 alunos se encontram distribuídos por 480 escolas e 48 208 alunos recebem educação em 90 escolas pertencentes à Unrwa.
Gaza: no meio dos escombros da guerra
Na Faixa de Gaza, o ano lectivo não começou já. O Ministério palestiniano da Educação anunciou que o trabalho do pessoal administrativo e docente terá início no próximo dia 16, com os alunos a regressarem às aulas três dias depois.
O ministério está a preparar-se para disponibilizar cerca de 700 pontos de ensino presencial e 25 escolas temporárias, além da continuidade do ensino virtual, permitindo que cerca de 541 mil alunos prossigam os seus estudos, de acordo com os recursos disponíveis e as condições existentes.
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