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Intentona na Nicarágua provocou danos no valor de 1100 milhões de dólares

O presidente do Banco Central da Nicarágua informou os participantes na 4.ª edição do Fórum de Amor, Paz e Solidariedade sobre os avultados danos económicos provocados pela «crise política» no ano passado.

A maioria dos nicaraguenses defende a paz
A maioria dos nicaraguenses defende a pazCréditos / Twitter

Intervindo no Quarto Fórum de Amor, Paz e Solidariedade, que teve lugar recentemente em Manágua, Ovidio Reyes, presidente do Banco Central da Nicarágua (BCN), sublinhou que quando a intentonta golpista teve início, a 18 de Abril, o país centro-americano mostrava «indicadores económicos encorajadores», nomeadamente um investimento externo de 12% e exportações acima dos 5000 milhões de dólares.

No que respeita ao sector do Turismo, a indústria estava em franco crescimento, tendo o país acolhido cerca de 500 mil visitantes nos três primeiros meses de 2018. A expectativa era de que se ultrapassasse os 2 milhões de turistas. «Uma coisa tremenda, mas que estancou», disse, precisando que, dos «960 milhões de dólares previstos, o sector apenas deve registar um lucro de 540 milhões».

Reyes disse que as acções violentas associadas à intentona golpista, orquestrada por Washington, levaram a um decréscimo para metade no investimento estrangeiro (cerca de 700-800 milhõe de dólares). Para além disto, o BCN estima que a tentativa de golpe contra o governo legítimo do país tenha provocado danos económicos globais no valor de 1110 milhões de dólares. O número de desempregados disparou para 130 mil, revela a Prensa Latina.

Apesar de tudo, valorizou a capacidade de resistência da Nicarágua e o seu «sólido sistema financeiro», já que «dez anos seguidos de progresso e muita poupança» tinham permitido «acumular forças», disse.

«Com três meses de agitação social e pressão, as pessoas ficaram nervosas e os depósitos diminuíram 27%», disse, explicando que, noutros países, isso teria significado «o descalabro».

A este propósito, lembrou o que aconteceu na Argentina quando houve uma quebra de 15% nos depósitos: colapso e desvalorização da moeda. «E receberam uma injecção substancial por parte de organismos internacionais – 60 mil milhões de dólares – e a Nicarágua zero, o que significa que o país estava mais bem preparado que qualquer outro», frisou, citado pelo portal tn8.tv.

«Direito a viver em paz»

A quarta edição do Fórum de Amor, Paz e Solidariedade decorreu na capital do país, Manágua, nos dias 10 e 11 de Janeiro, tendo contado com a participação de mais de 50 representantes de cerca de duas dezenas de países.

Presente no encontro, o deputado da Duma Estatal russa e vice-presidente do Partido Comunista da Federação Russa, Dimitri Novikov, disse à Prensa Latina que testemunhou o apoio do povo ao governo sandinista.

Lembrou que, para a Casa Branca, a Nicarágua faz parte do «triângulo do mal» em que se incluem a Venezuela e Cuba, e defendeu a necessidade de expressar a solidariedade a estes países – que «desejam manter a sua soberania» – face à «agressividade do imperialismo norte-americano».

Partidos políticos e organizações de duas dezenas de países participaram no Fórum Paz e Solidariedade, em Manágua Créditos

Por seu lado, o presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, o herói cubano Fernando González, defendeu o direito da Nicarágua a viver em paz.

Também em declarações à Prensa Latina, González afirmou que a tentativa de golpe levada a cabo entre Abril e Julho do ano passado no país centro-americano se enquadra na estratégia de ataques contra o governo bolivariano na Venezuela, do golpe parlamentar contra a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff e do encarceramento injusto de Lula da Silva.

Sobre o Fórum, este herói cubano, que passou mais de 17 anos nos cárceres dos EUA e foi libertado em 2014, valorizou a informação recebida da parte de membros do governo nicaraguense, de deputados, académicos e comunicadores acerca do que se passou no país em 2018 – uma violência aparentemente anárquica, mas que foi bem orquestrada e que apresenta semelhanças com as «guarimbas» na Venezuela em 2017.

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