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O Supremo Tribunal espanhol ordenou a prisão de mais cinco representantes do povo catalão e reactivou ordem de captura sobre o presidente deposto

Número de líderes catalães presos sobe para 8 e Puigdemont é detido na Alemanha

O Estado espanhol elevou a fasquia na repressão sobre os representantes eleitos do povo catalão e prendeu mais quatro conselheiros e a presidente do parlamento depostos por Madrid. Carles Puigdemont foi detido na Alemanha este domingo, após a reactivação da ordem de captura europeia.

Cartaz onde se lê «Liberdade aos presos políticos», com os rostos dos líderes catalães encarcerados, empunhado por um participante numa concentração no centro de Pamplona (Navarra, Espanha). 25 de Março de 2018
Cartaz onde se lê «Liberdade aos presos políticos», com os rostos dos líderes catalães encarcerados, empunhado por um participante numa concentração no centro de Pamplona (Navarra, Espanha). 25 de Março de 2018CréditosJesus Diges / EPA

As últimas 48 horas foram marcadas pelo recrudescimento da repressão sobre os representantes do povo catalão, com a prisão de quatro dos seis membros da Generalitat (governo regional) que tinham sido libertos em Dezembro: Dolors Bassa, Raül Romeva, Josep Rull e Jordi Turull – este último era o candidato apoiado pelo PDeCat e pela ERC (principais forças independentistas no Parlament) a ocupar a presidência do governo.

Esta manhã, o advogado de Carles Puigdemont confirmou que este foi detido na Alemanha, quando fazia uma viagem entre a Finlândia e a Bélgica, onde vive desde o final do ano passado, para evitar a prisão. Um dos obstáculos à concretização da ordem de captura europeia e sucessiva extradição era a inexistência dos crimes de que é imputado no ordenamento jurídico belga. Na Alemanha, existe o crime de alta traição, equivalente à rebelião de que é acusado em Espanha, mas que exige actos violentos. Uma jurista consultada pelo diário catalão Ara considera improvável que a extradição venha a ocorrer.

Recorde-se que permanecem encarcerados os «dois Jordis» – Cuixart e Sánchez –, presidentes das associações Òmnium Cultural e Assembleia Nacional Catalã, desde 16 de Outubro, e Joaquim Forn, conselheiro do Interior, e Oriol Junqueras, vice-presidente da Generalitat e presidente da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha). Para evitar a previsível detenção, a secretária-geral do partido, Marta Rovira, abandonou o país na sexta-feira.

Ao todo, o Supremo Tribunal espanhol aceitou a acusação de 25 líderes políticos e sociais catalães por crimes que vão da rebelião à desobediência, incluindo figuras de relevo da ERC, da CUP – Candidatura de Unidade Popular (Anna Gabriel e Mireia Boya), todos os membros da Generalitat depostos por Madrid a 28 de Outubro e, para além de Forcadell, todos os membros da mesa do Parlament indicados pelo PDeCat, pela ERC e o comunista Joan Josep Nuet.

De fora dos acusados ficaram o ex-presidente da Generalitat e, até Janeiro, do PDeCat (direita independentista), Artur Mas, a actual presidente do partido, Neus Munté, e a coordenadora-geral, Marta Pascal.

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