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Milhares participam nas Marchas pela Liberdade na Catalunha

A terceira jornada de protestos contra a sentença do Supremo espanhol contra dirigentes independentistas catalães fica marcada pelo início das Marchas pela Liberdade.

As Marchas pela Liberdade partiram de cinco pontos das quatro províncias catalãs, com destino a Barcelona, em protesto contra a sentença do Supremo espanhol contra independentistas catalães
As Marchas pela Liberdade partiram de cinco pontos das quatro províncias catalãs, com destino a Barcelona, em protesto contra a sentença do Supremo espanhol contra independentistas catalães Créditos / naiz.eus

Dezenas de milhares de pessoas partiram hoje das localidades Tàrrega (província de Lleida), Tarragona, Girona, Vic (Barcelona) e Berga (Barcelona), dando assim início às Marchas pela Liberdade organizadas pela Assembleia Nacional Catalã (ANC) e pela Òmnium Cultural.

Cada uma das cinco colunas vai percorrer a pé cerca de 100 quilómetros até chegar, na próxima sexta-feira, a Barcelona. Para esse dia, foi agendada uma greve geral no território catalão, bem como uma manifestação na capital autonómica.

De acordo com o portal basco naiz.eus, a Reitoria da Universidade Autónoma, em Barcelona, encontra-se ocupada pelos estudantes e o serviço de alta velocidade entre a capital catalã e Figueres está interrompido desde as 6h40, devido a cortes intencionais da fibra óptica em vários pontos da linha férrea, informou a agência espanhola Efe.

A noite e a madrugada de terça-feira ficaram marcadas por fortes protestos e repressão policial por toda a Catalunha Créditos

Autoridades espanholas e governo catalão insistem na repressão

As condenações de dirigentes independentistas membros de associações, do governo e do Parlamento da Catalunha a penas de prisão efectiva até 13 anos, pela alegada prática dos crimes de sedição e desvio de fundos públicos, motivaram fortes protestos e mobilizações no território autonómico e fora dele.

Depois das grandes mobilizações e fortes cargas policiais registadas no Aerporto de El Prat, em Barcelona, na segunda-feira, ontem à noite e de madrugada dezenas de milhares de pessoas voltaram a participar em acções de protesto, na sequência dos apelos feitos por ANC, Òmnium e Comités de Defesa da República (CDR) à mobilização junto às delegações do governo espanhol em cada uma das quatro províncias da Catalunha: Barcelona, Tarragona, Girona e Lleida.

Houve grandes manifestações e protestos por todo o território – só em Barcelona, a Guardia Urbana contabilizou 40 mil manifestantes. De acordo com o portal lahaine.org, as cargas policiais dos Mossos d'Esquadra e da Polícia espanhola para conter os protestos foram indiscriminadas e intensas.

Registaram-se fortes confrontos nas ruas, sobretudo em Barcelona, onde, segundo o portal elnacional.cat, foram erguidas 157 barricadas. Dos confrontos e das cargas resultaram 125 pessoas feridas, que, na maioria dos casos, receberam tratamento do Sistema de Emergências Médicas (SEM); 18 tiveram de ser hospitalizadas. Fontes policiais revelaram que 30 pessoas foram detidas.

Por seu lado, o governo espanhol exaltou o papel das forças policiais que intervêm na Catalunha – com grande repressão, como o têm feito desde 2017 – e denunciou que os incidentes registados nesta noite e madrugada são acções «coordenadas» destinadas a «romper a convivência».

Numa peça publicada hoje, o portal insurgente.org afirma que «as forças repressivas (Polícia Nacional, Guarda Civil e Mossos) agem de modo unificado, procurando o prémio dos sectores mais reaccionários».

Denuncia igualmente o papel da comunicação social dominante em Espanha: «"A Catalunha arde", "o terrorismo apodera-se das ruas", gritam das tribunas mediáticas burguesas do espanholismo, para que se aplique o [artigo] 155, vá [para a Catalunha] o Exército e o que mais faça falta.»

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