|Península da Coreia

Negociações secretas em Estocolmo

Diplomatas estado-unidenses e norte-coreanos estão reunidos há dois dias na capital sueca, em encontro mediado pelo governo daquele país nórdico.

Polícias vigiam instalações, nos arredores de Estocolmo, Suécia, onde representantes dos EUA, Coreia do Norte e Coreia do Sul se enconran reunidos, a 20 de Janeiro de 2019.
Polícias vigiam instalações, nos arredores de Estocolmo, Suécia, onde representantes dos EUA, Coreia do Norte e Coreia do Sul se enconran reunidos, a 20 de Janeiro de 2019. CréditosEPA/ANDERS WIKLUND SWEDEN OUT / LUSA

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Diana Kudhaib, declarou que as delegações incluíam o enviado especial dos EUA para a Coreia do Norte, Steven Biegun, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Chue Son Hui, e a própria ministra dos Negócios Estrangeiros sueco, Margot Wallstrom.

A Suécia tem relações diplomáticas com Pyongyang desde 1973 e é um dos poucos países ocidentais a aí manter uma embaixada, a qual presta serviços consulares aos EUA, segundo a Associated Press (AP). Foi Margot Wallstrom que, em Março de 2018, reuniu em Estocolmo com o ministro dos Negócios Estrangeiros da RPDC, Ri Yong Ho, num encontro preparatório da cimeira de Singapura entre Donald Trump e Kim Jong Un, em Junho.

A reunião que está a decorrer em Estocolmo segue-se à entrega ao presidente King Jong Hun, em mão própria, de uma carta do presidente Donald Trump, e sugere que os EUA e a RPDC estão mais próximos de um compromisso, depois de um impasse que se prolongou ao longo de muitos meses.

Recentemente o presidente Kim fez uma visita surpresa a Pequim para se reencontrar com o presidente chinês Xi, sugerindo um papel importante para a China em qualquer plano de desnuclearização da península coreana.

A Coreia do Sul tem vindo a discutir com os EUA a necessária correspondência aos passos de desnuclearização da RPDC, nomeadamente o desmantelamento do complexo de mísseis intercontinentais (ICBM) dos EUA em Yongbyon, na Coreia do Sul, afirma a Reuters, citando fontes oficiais sul-coreanas.

Cheong Seong-chang, investigador do Instituto Sejong (Coreia do Sul) referiu àquela agência noticiosa que, num segundo encontro entre os presidentes dos EUA e da RPDC, teria de se encontrar um equivalente para a abolição por Pyongyang disponível dos seus mísseis ICBM», o qual seria, na opinião do investigador, «desmantelar o complexo de Yongbyon».

Na terça-feira passada Pyong Yang e Seul deram um passo mais na aproximação registada após a histórica cimeira de Panmunjom, de Abril de 2018, e da cimeira de Pyong Yang, em Setembro: a Coreia do Sul concordou em deixar de chamar «inimigo» à Coreia do Norte no seu documento bienal de Defesa, reporta a AP.

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