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A NATO bombardeou a Jugoslávia para «proteger os civis»

Num encontro com estudantes universitários em Belgrado, o secretário-geral da NATO sublinhou que esta organização atacou a Jugoslávia em 1999 para «proteger os civis e travar o regime de Milosevic».

Bombardeamento em Belgrado levado a cabo pela NATO
Bombardeamento em Belgrado levado a cabo pela NATOCréditos / TASS

Muita gente na Sérvia tem «má» memória dos bombardeamentos levados a cabo há 19 anos pela Aliança Atlântica e o seu secretário-geral, Jens Stoltenberg, fez questão de se deslocar até à Universidade de Belgrado para ali dar uma conferência centrada na Operação Força Aliada.

No encontro que manteve este sábado com estudantes de línguas nórdicas da Faculdade de Filologia, o responsável da NATO afirmou que esta organização bombardeou a Jugoslávia em 1999 para «proteger os civis e travar o regime» do então seu presidente, Slobodan Milosevic, informa a Radiotelevisão da Sérvia (RTS), citada pela RT.

Para Stoltenberg, no entanto, o mais importante é que Belgrado e a NATO «olhem para o futuro». E, se o bloco militar «respeita» a decisão da Sérvia de não integrar a Aliança Atlântica, mantém a intenção de que a Sérvia seja um «parceiro», disse.

Stoltenberg declarou ainda que a NATO apoia inteiramente a normalização das relações entre a Sérvia e região secessionista do Kosovo, tanto do ponto de vista diplomático como «através da KFOR», força militar multinacional liderada pela NATO que permanece no território kosovar, segundo os seus promotores, «para proteger todas as comunidades».

Estas palavras, proferidas à margem da conferência para refrescar a memória estudantil sobre o papel da NATO na Jugoslávia em 1999, seguiram-se ao aumento de tensão entre Belgrado e Pristina no passado dia 29 de Setembro, provocado pela visita de Hashim Thaci, líder do Kosovo – em companhia de forças policiais de choque –, a uma parte do território kosovar de maioria sérvia e que se recusa a reconhecer a autoridade da capital kosovar.

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros criticou a KFOR pela sua atitude passiva «em face de tais desenvolvimentos», que levaram o governo sérvio a colocar os seus militares em estado de alerta, segundo refere a RT.

Bombardeamentos da NATO

Em Março de 1999, a NATO iniciou uma campanha de bombardeamentos contra a Jugoslávia, sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, alegando que Belgrado recorrera ao «uso excessivo e desproporcionado da força» no conflito com a maioria albanesa na região do Kosovo – que declarou a sua independência, unilateralmente, em 2008.

Durante essa campanha militar, a NATO lançou «entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um desastre ambiental» e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas.

Em 2017, uma equipa internacional que está a preparar uma acção legal contra a NATO afirmou que, «na Sérvia, 33 mil pessoas adoecem por causa disto [urânio empobrecido] todos os anos. Uma criança a cada dia».

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