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Proposta iniciativa na Sérvia para recordar agressão da NATO

A Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade – Capítulo Sérvia lançou uma iniciativa para perpetuar entre os cidadãos a memória da agressão da NATO, iniciada há 22 anos.

A agressão da NATO à Jugoslávia começou a 24 de Março de 1999v
A agressão da NATO à Jugoslávia começou a 24 de Março de 1999vCréditos / serbianmonitor.com

Um documento a que a agência Prensa Latina teve acesso destaca que a lembrança deste dia relaciona toda a gente com o massacre dos cidadãos da então República Federal da Jugoslávia, perpetrado por 19 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte entre 24 de Março e 10 de Junho de 1999.

Pela primeira vez na história das Nações Unidas, sublinha a Rede, tomou-se a decisão de atacar um país soberano, membro e fundador desta organização internacional, sem a aprovação do Conselho de Segurança, um precedente criado como expressão da arbitrariedade política dos líderes dos Estados Unidos e da NATO.

O texto afirma que esse foi o último grande crime do século XX, cometido pelo Ocidente em violação do direito internacional e numa tentativa de estabelecer um mundo unilateral, e destaca que essa acção bélica inaugurou um modelo de intervencionismo global que depois se aplicou no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, no Mali e na Síria.

A nota a que a agência cubana teve acesso acrescenta que, longe do medo e da agonia esperados, as forças de defesa jugoslavas, pese a inferioridade técnica e militar, ofereceram uma magnífica resistência e as canções patrióticas dos desobedientes ressoaram em locais públicos, pontes e tertúlias.

Foram 1008 soldados e polícias mortos, que marcharão para sempre junto à memória colectiva, bem como mais de 2500 vítimas civis do crime da NATO, incluindo 89 crianças, denuncia a declaração.

Resistência à desmemória e à «profanação» do Fogo Eterno

A Rede afirma que as cicatrizes daquela agressão ainda não se apagaram, mas que as transformações sociais e políticas posteriores na Sérvia fizeram surgir figuras que mudaram a atitude face à agressão e à forma de a recordar.

Chamou a atenção da Rede o facto de o monumento denominado Fogo Eterno, em Belgrado, ter sido vandalizado, apagada a chama, símbolo da defesa heróica da Sérvia com a participação de todo um povo, e destruída a placa com os nomes dos países participantes no ataque.

Por isso, lançou a iniciativa de restaurar a instalação, voltar a acender a chama da tocha e colocar em redor do pedestal o texto original e os nomes dos agressores.

Também sugeriu colocar no local aquilo que designa como 14 obstáculos, com os nomes dos mais altos políticos e comandantes da aliança ocidental, condenados no Tribunal do Distrito de Belgrado em Setembro de 2000, como «advertência ao mundo inteiro do perigo da arbitrariedade política e abusos de poder», refere a Prensa Latina.

Considerou ainda oportuno para as actuais e futuras gerações fazer o contraste entre essas personagens e as últimas palavras dos pilotos coronel Milenko Pavlovic e major Zoran Radosavljevic, dedicadas ao amor à pátria e à defesa das crianças do país, como um acto de desagravo à profanação do monumento.

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