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Milhares manifestam-se em defesa dos direitos e contra o governo golpista boliviano

A jornada de mobilização nacional foi convocada pela Central Obrera Boliviana (COB) para denunciar as políticas de Áñez ao nível da Saúde e da Educação, e exigir respeito pelos direitos dos trabalhadores.

As manifestações de protesto desta terça-feira foram as maiores desde que foi decretada a situação de emergência sanitária e a quarentena na Bolívia
As manifestações de protesto desta terça-feira foram as maiores desde que foi decretada a situação de emergência sanitária e a quarentena na Bolívia Créditos / RFI

Em El Alto, juntaram-se milhares de pessoas, que desceram em cortejo até à cidade vizinha de La Paz. Protestos semelhantes – os maiores desde que a quarentena entrou em vigor – ocorreram por todo o país, demonstrando que as ameaças constantes, as detenções de dirigentes e activistas do Movimento para o Socialismo (MAS), a censura e todas as formas de engenharia repressiva do governo golpista da autoproclamada Jeanine Áñez não conseguiram atemorizar o povo boliviano. Nas sondagens para as eleições de 6 de Setembro, o candidato do MAS, Luis Arce, segue à frente, com grande avanço sobre os vários candidatos da direita.

As manifestações desta terça-feira tiveram como linha fundamental a defesa da Saúde, da Educação, da estabilidade no emprego e da democracia, com a COB a denunciar a má gestão económica do governo golpista, os graves problemas existentes em todos os sectores de actividade, em particular nas áreas da Saúde e da Educação, refere a Kawsachun News.

Em declarações à imprensa, o líder do COB, o mineiro Juan Carlos Huarachi, disse que «o povo está a expressar as suas necessidades» no protesto. Afirmou ainda que estava «a apoiar a mobilização dos professores rurais e urbanos contra a educação virtual», e pediu a demissão do actual responsável da tutela, Victor Hugo Cárdenas.

Milhares de docentes também desafiaram a quarentena e uniram-se aos manifestantes que desceram de El Alto, percorrendo cerca de 12 quilómetros até chegarem às portas do Ministério da Educação, mas não do Congresso e do Palácio do Governo, que foram cercados pelas Forças Armadas a alguns quarteirões de distância.

Desde que foi declarada a situação de emergência sanitária e o confinamento, há quatro meses, as aulas presenciais foram suspensas e várias escolas, sobretudo as particulares, implementaram o ensino à distância. Cárdenas está a tentar aplicar a educação virtual nas escolas públicas, mas, nas zonas rurais e nos bairros urbanos mais pobres, há falta de acesso à Internet ou a dispositivos adequados.

O dirigente dos docentes urbanos, Vladimir Laura, sublinhou esta situação de desigualdade, uma vez que a Educação não é um direito garantido a todos, e exigiu a demissão do ministro Cárdenas, que «denegriu o trabalho dos professores».

«Estamos a pedir Internet gratuita, porque há crianças que não têm telemóvel com Internet e não podem estudar» em casa, disse à imprensa Feliciana Quesucala, de 46 anos, moradora em El Alto.

Denúncia das políticas do governo que Washington pôs em La Paz

Os protestos desta terça-feira abrangem também «a situação na saúde, na educação e o despedimento massivo de trabalhadores», no contexto da crise económica associada à quarentena, disse Gustavo Arce, secretário de Educação e Cultura da COB.

«Também estamos a defender a estabilidade no emprego. Há muitos despedimentos; eles não respeitaram os seus próprios decretos», disse o líder da COB, Juan Carlos Huarachi, que denunciou os despedimentos nos sectores público e privado, apesar de existir legislação aprovada para os evitar.

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