«É o culminar do desrespeito do Governo pelo jornalismo e pelo seu valor numa democracia», afirmou Fernando Stanich, presidente do Fórum de Jornalismo Argentino. Javier MIlei, não escondendo o seu desprezo pela democracia impediu o acesso de jornalistas credenciados à sede do Governo, a Casa Rosada.
O porta-voz de Milei, Javier Lanari, afirmou na quinta-feira que o Governo tinha bloqueado o acesso da imprensa «como medida preventiva», depois de um canal de televisão local ter divulgado imagens filmadas com óculos inteligentes a partir do interior da Casa Rosada, alegadamente sem autorização. As autoridades responsáveis pela segurança da Casa Rosada processaram a emissora Todo Noticias, disse Lanari, acusando-a de «espionagem ilegal».
No total foram impedidos de entrar 60 jornalistas e, segundo Jaime Rosemberg, jornalista do jornal La Nación, «foi a desculpa perfeita para alargar a punição a todo o corpo de imprensa». Já no ano passado, o Governo tinha restringido a circulação dos meios de comunicação social no interior do edifício, designando certas alas da Casa Rosada como zonas de acesso proibido e limitando a participação nas sessões informativas.
Esta proibição surge num momento delicado para Milei, cuja popularidade se encontra agora no nível mais baixo da sua presidência, de acordo com a empresa de sondagens AtlasIntel, e a sua campanha para eliminar a inflação da Argentina estagnou, o desemprego aumentou e a economia contraiu-se. Os casos de corrupção que lembram os escândalos que assolaram a elite política que Milei se comprometeu a derrubar aumentaram e o seu aliado e chefe de gabinete, Manuel Adorni, está a ser investigado por desvio de fundos públicos.
Por todos estes motivos, Javier MIlei procura diminuir o escrutínio democrático. Para além de limitar fisicamente o acesso à sede do Governo, tinha já aprovado uma lei de acesso à informação de forma a limitar as informações disponíveis ao público e, em 2024, encerrou a agência noticiosa estatal argentina Télam, acusando-a de ser porta-voz propagandístico da oposição populista de esquerda.
Enquanto o seu Governo retirava as credenciais de imprensa aos cerca de 60 repórteres que cobriam a Casa Rosada, Milei escreveu nas redes sociais: «Escória nojenta, que tal tentarem parar com as mentiras?», e «Ah, esquecia-me, vocês são uns corruptos viciados, viciados no dinheiro da publicidade e dos subornos».
Esta, de resto, não é a primeira vez que Milei recorre aos insultos contra os jornalistas. O jornal La Nación fez uma análise ao twitter do presidente argentino e concluiu que somente entre 2 a 5 de Abril, Milei escreveu 86 mensagens a ridicularizar e a insultar jornalistas. A maioria das suas mensagens sobre os órgãos de comunicação social inclui o seu lema: «Não odiamos os jornalistas o suficiente», e afirma que 95% dos jornalistas são criminosos. Frequentemente, aponta a determinados repórteres críticos do seu Executivo com epítetos que vão desde «operativo sujo» a «lixo humano».
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