Mães, avós, sobreviventes e familiares estavam entre a enorme multidão que se juntou nas ruas de Buenos Aires – a maior de que os organizadores têm memória num 24 de Março, data do golpe de Estado que, em 1976, deu início à última ditadura civil-militar e ao terrorismo de Estado na Argentina.
Às mensagens provocatórias de «reconciliação» e «memória completa» divulgadas pelo governo libertário, centenas de milhares de pessoas responderam reafirmando a exigência de saber onde estão os 30 mil desaparecidos.
«Estamos nesta praça acompanhados pelo povo para dizer a Milei: a memória é a nossa ferramenta», defenderam os organismos promotores da mobilização num documento lido por vários representantes.
«A 50 anos do golpe exigimos que os genocidas e os seus cúmplices divulguem a informação que escondem. Apesar dos julgamentos, provas e condenações pelos seus crimes, continuam a manter o pacto de silêncio», afirmaram.
Denúncia do plano económico do governo de Milei
Frente à Casa Rosada, na Praça de Maio, os promotores da mobilização assinalaram o meio século passado desde o início da última ditadura civil-militar no país austral longe das provocações libertárias, mas sem nunca esquecer o actual executivo, refere o Tiempo Argentino.
O documento político unitário que honrou a memória dos caídos na ditadura denunciou também a actual «política da fome» e a proximidade entre o plano económico de Milei e o da ditadura, assente na valorização financeira do capital, na desindustrialização e na dívida externa.
«Milei promove o mesmo programa que impuseram as grandes empresas na ditadura civil-militar para maximizar os seus lucros e aprofundar a dependência», afirmaram, tendo sublinhado que as reformas laboral, tributária e das pensões «significam retroceder mais de um século em direitos conquistados com a luta: a jornada de oito horas, o direito a uma reforma digna, a saúde e a educação públicas».
Muitas críticas a um governo «negacionista»
Os organismos promotores dirigiram fortes críticas ao executivo de Milei pelo facto de «não ser apenas negacionista, mas reivindicar o terrorismo de Estado e o genocídio».
Neste sentido, denunciaram o «desmantelamento das políticas de Memória, Verdade e Justiça», bem como a falta de financiamento dos espaços da memória, o incumprimento das reparações históricas devidas, o não pagamento das pensões aos ex-presos políticos e exilados ou a intervenção nas estruturas do Banco Nacional de Dados Genéticos.
Face a essa política de negacionismo, sublinharam que os desaparecidos estavam presentes e que querem que «as novas gerações saibam quem eram, como pensavam, que sonhos tinham e por que lutavam os 30 mil».
«Estamos aqui para recordar essas gerações que em meados do século passado começaram a organizar-se, para lutar contra aqueles que, como hoje, queriam transformar a Argentina numa colónia do imperialismo ianque e europeu», frisaram.
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