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Mil dirigentes sociais assassinados na Colômbia desde o acordo de paz

O Indepaz divulgou a lista dos mil líderes sociais e defensores dos direitos humanos assassinados na Colômbia entre a assinatura do acordo de paz e 18 de Agosto. Em 2020, já foram mortos pelo menos 198.

Paramilitares colombianos continuam a ameaçar líderes sociais e indígenas na Colômbia
Além dos assassinato de dirigentes sociais, o Indepaz tem registado o incremento de massacres na Colômbia Créditos / Contagio Radio

No passado dia 21, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), a Marcha Patriótica e a Cimeira Agrária, Étnica e Popular publicaram uma infografia e uma lista detalhada sobre os mil dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos que foram assassinados no país sul-americano desde que foi assinado o acordo de paz entre o governo colombiano e as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), em 24 de Novembro de 2016.

O último da lista é Fabio Andrés Gómez Grande, agricultor assassinado no passado dia 18 em Argelia, no departamento do Cauca, que se destaca como o mais violento (240 assassinatos).

Infografia sobre os mil dirigentes sociais e defensores de direitos humanos assassinados na Colômbia desde a assinatura desde o acordo de paz / Indepaz

A situação no Sudoeste do país é particularmente crítica, uma vez que quatro dos cinco departamentos com maior número de assassinatos se encontram naquela região: além do Cauca, Nariño (91), Vale do Cauca (75) e Putumayo (61). O segundo departamento mais violento é Antioquia (133), tendo em conta os dados recolhidos pelas entidades que publicam o relatório.

E continua

Fabio Grande era o número 194 da lista de 2020. Entretanto, de dia 18 para cá já foram assassinados mais quatro dirigentes – designação em que cabem indígenas, afrodescendentes, sindicalistas, agricultores, entre outros.

O caso mais recente é o de Rita Rubiela Bayona, vice-presidente da Junta de Acção Comunal do Bairro 11 de Novembro, no município de Santa Marta (departamento de Magdalena, no Norte da Colômbia), que foi morta a tiro, ontem, por um grupo de indivíduos que se deslocaram a sua casa numa motorizada.

De acordo com as autoridades locais, Bayona tinha sido ameaçada, e a situação fora denunciada há algumas semanas ao Ministério Público e à Unidade Nacional de Protecção, refere a TeleSur.

Novo massacre, agora em Catatumbo, Norte de Santander

Três jovens foram assassinados por um grupo de homens armados, esta terça-feira, numa zona rural do município de Ábrego, na região de Catatumbo, revelou a Rede Departamental de Defensores de Direitos Humanos de Norte de Santander.

A organização exigiu «respostas imediatas» ao presidente colombiano, Iván Duque, «face à impunidade reinante». De acordo com as informações até agora veiculadas, os jovens foram interceptados por um grupo de homens armados e obrigados a dirigir-se para uma zona de floresta, onde foram executados.

As autoridades locais já tinham alertado para a presença destes indvíduos, que disputam o controlo das rotas do narcotráfico e de outros negócios ilegais na região do Catatumbo, informa a TeleSur.

Em 2020, até ao dia 25 de Agosto, o Indepaz documentou 46 massacres na Colômbia, quatro dos quais no departamento de Norte de Santander (municípios de Ábrego, Cúcuta e Tibú), onde 25 pessoas foram assassinadas por grupos armados ilegais. Em todo o país, o organismo registou a morte de 185 pessoas em massacres levados a cabo na Colômbia ao longo deste ano.

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