|Sudão

Manifestações no Sudão contra o poder militar

Nos últimos dois dias, enormes manifestações, na capital do país e noutras cidades, exigem o pleno restabelecimento da autoridade civil.

Manifestantes protestam contra o governo resultante do golpe militar de Outubro de 2021 e exigemr a transição para um governo civil, em Cartum, Sudão, a 30 de Junho de 2022
Manifestantes protestam contra o governo resultante do golpe militar de Outubro de 2021 e exigemr a transição para um governo civil, em Cartum, Sudão, a 30 de Junho de 2022CréditosMohamed Nureldin Abdallah / REUTERS

As manifestações intensificaram-se esta sexta-feira, nomeadamente no centro de Cartum e nas proximidades de Sharoni, onde têm ocorrido confrontos entre os manifestantes e as forças repressivas.

Centenas de milhar de sudaneses, segundo o local Dabanga, participaram nas manifestações que assinalam o 33.º aniversário do golpe militar do ditador Omar al-Bashir, que pôs fim ao último governo democraticamente eleito no Sudão.

Além de um grande número de feridos, registam-se pelo menos oito mortos, entre os quais uma criança, abatidos por forças de segurança em Cartum e na sua cidade gémea, Ondurman.

Segundo a Reuters, as autoridades deram instruções às companhias de telecomunicações privadas  para cortarem a internet, a fim de tentarem conter os protestos.

Entretanto, uma força de segurança cercou a sede central do Partido Comunista Sudanês e lançou granadas de gás lacrimogêneo, de que resultaram ferimentos e casos de asfixia entre os manifestantes que se abrigavam no interior do edifício.

Os comunistas sudaneses já condenaram o que consideram ser um acto bárbaro das autoridades militares, a quem acusam de se perpetuarem no poder a fim de saquear os recursos do país nos seus próprios interesses.

O ditador al-Bashir foi derrubado por uma greve geral nacional em Abril de 2019, depois de meses de grandes protestos, ferozmente reprimidos.

Os militares que retiraram o apoio a al-Bashir, sob a pressão das massas populares, aceitaram a nomeação de um governo provisório, chefiado pelo primeiro-ministro Abdallah Hamdok, que ficou encarregue de preparar eleições presidenciais previstas para 2023.

Porém, em Outubro de 2021, os militares, chefiados pelo general Abdelfattah al-Burhan, voltam a dar um golpe de Estado, prendendo o primeiro-ministro, decretando o estado de emergência e dissolvendo o governo de transição, num acto que levou à suspensão do país da União Africana.

A resistência popular tem sido constante, com o Sudão a viver, por estes dias, uma onda de protestos contra os militares e pela transição para uma sociedade civil e um governo democraticamente eleito.

Tópico