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Mais dois mortos em Gaza. ONU previne Israel contra «crimes de guerra»

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução exigindo a responsabilização de Israel pelo uso de força excessiva e letal. No mesmo dia foram assassinados mais dois palestinianos em Gaza.

Manifestantes junto às vedações fronteiriças, reforçadas com arame farpado pelas forças de defesa israelitas em antecipação à próxima passagem, em 30 de Março, do primeiro aniversário do protesto Grande Marcha do Retorno. Gaza, 22 de Março de 2019.
Manifestantes junto às vedações fronteiriças, reforçadas com arame farpado pelas forças de defesa israelitas em antecipação à próxima passagem, em 30 de Março, do primeiro aniversário do protesto Grande Marcha do Retorno. Gaza, 22 de Março de 2019. CréditosMohammed Asad / Mondoweiss

No passado dia 22 de Março o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (United Nations Human Rights Council, UNHRC) denunciou o uso de «força letal ilegal e outra força excessiva» contra manifestantes palestinianos desarmados na faixa de Gaza, segundo a iraniana PressTV.

Desde 30 de Março de 2018 que têm ocorrido, semanalmente, protestos junto às vedações que separam aquele território palestiniano dos territórios ocupados por Israel, exigindo que se cumpra o direito de retorno aos lares de que foram expulsos desde o estabelecimento, na Palestina, do Estado de Israel, em 1948.

As forças militares e policiais israelitas têm respondido com violência excessiva e uso de armas letais às tentativas de ultrapassar ou destruir as vedações, tendo causado à volta de 260 mortos e milhares de feridos – entre os quais jornalistas, membros dos serviços de saúde, mulheres e crianças.

A resolução adoptada na sexta-feira passada pelo UNHRC com 23 votos a favor, oito contra e 15 abstenções, proposta pelo Paquistão em nome da Organização de Cooperação Islâmica (Organization of Islamic Cooperation, OIC), aponta para a necessidade de responsabilização de Israel pelos factos ocorridos.

O texto da resolução, baseado no relatório de uma investigação conduzida por uma Comissão de Inquérito Independente da Organização das Nações Unidas (ONU) que concluiu terem sido cometidos, pelos soldados israelitas, violações dos direitos humanos e das leis humanitárias configurando «crimes de guerra ou crimes contra a humanidade», dos quais resultaram, entre Março e Dezembro de 2018, «a morte de 189 palestinianos e o ferimento de milhares», pede ao Estado de Israel para colaborar com a investigação preliminar, lançada em 2015 pelo Tribunal Penal Internacional (International Criminal Court, ICC), sobre as violações de direitos humanos por parte de Israel.

O embaixador da Palestina nos escritórios da ONU em Genebra, Ibrahim Khraishi, pronunciando-se sobre a resolução aprovada, referiu que «os disparos sobre civis não podem ser aceites» e fez notar que, enquanto nos confrontos «não tem havido ferimentos em israelitas – militares ou civis», já se contam, entre os mortos do lado palestiniano, dois jornalistas, 35 crianças e um número indeterminado de trabalhadores da saúde».

Aviva Raz Shechter, embaixadora do Estado de Israel em Genebra, considerou o voto marcado por «preconceitos contra Israel».

Mais dois palestinianos mortos, apesar de advertência da ONU

No mesmo dia, em claro desafio à resolução da ONU que se encontrava em votação em Genebra, as forças israelitas dispararam sobre os manifestantes junto à vedação fronteiriça entre a Faixa de Gaza e os territórios ocupados por Israel, matando dois palestinianos e ferindo 55, segundo a PressTV, citando fontes do Ministério da Saúde de Gaza, o qual referiu trabalhadores dos serviços médicos como tendo sofrido de dificuldades respiratórias causadas pela inalação de gás lacrimogéneo lançado pelas forças de Israel.

Jihad Harara, de 24 anos, foi abatido na cabeça a leste da cidade de Gaza, enquanto Nidal Shatat, de 29, foi atingido no peito perto do campo de refugiados de Al-Bureij, no centro de Gaza. Eles são, como refere o sítio de notícias Mondoweiss, as mais recentes das 257 vítimas mortais desde que os palestinianos iniciaram os protestos fronteiriços semanais, conhecidos como a Grande Marcha do Retorno, pelo direito de regresso às suas terras ancestrais.

As Forças de Defesa de Israel (Israel Defense Forces, IDF) não comentaram as mortes nem mencionaram baixas do seu lado, preferindo referir que cerca de 10 mil «arruaceiros e manifestantes» se tinham «reunido em vários pontos» da vedação entre Gaza e os territórios ocupados, «atirando engenhos explosivos, objectos pesados e pedras» na direcção das tropas.

No sábado, 23 de Março, centenas de manifestantes, segundo a Reuters, participaram nas exéquias dos dois mortos do dia anterior, homenageando-os como mártires n caídos na luta.

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