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Líder independentista porto-riquenho detido 18 horas no Panamá

López Rivera foi detido, segunda-feira à noite, ao fazer escala no aeroporto da Cidade do Panamá, quando se dirigia para Bolívia para participar no seminário internacional «América Latina em disputa».

López Rivera recebido esta madrugada, na Bolívia, pelo ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya e por Katu Arkonada, da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade
López Rivera recebido esta madrugada, na Bolívia, pelo ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya e por Katu Arkonada, da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da HumanidadeCréditos / Twitter

Inicialmente, os organizadores do seminário denunciaram que o líder independentista, detido no aeroporto da Cidade do Panamá, seria deportado para Porto Rico, «pese embora ter o seu passaporte em situação regular e ter cumprido a sua condenação política em prisões norte-americanas».

Classificando a detenção como «injusta e arbitrária», os organizadores do seminário internacional «América Latina em disputa», que ontem se iniciou na cidade boliviana de Santa Cruz, exigiram «a libertação imediata de López Rivera» e que este pudesse «seguir viagem até ao país sul-americano», indica a TeleSur.

As autoridades panamianas terão alegado que López Rivera era um ex-condenado e que tal condição o impedia de seguir viagem, de acordo com as leis do país centro-americano. No entanto, a situação foi desbloqueada após a intervenção do governo boliviano.

Alternativas à agressão imperialista

Organizado pela Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade em conjunto com outras entidades, o encontro reúne intelectuais de esquerda, que, durante três dias, centrarão as suas reflexões em torno de alternativas face à agressão neoliberal e imperialista na América Latina.

Entre os oradores convidados contam-se, para além do lutador porto-riquenho, personalidades como o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, o intelectual argentino Atilio Borón, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano Wiliam Castillo e o ministro boliviano do Interior, Carlos Romero.

A sessão de abertura, ontem, teve direito a casa cheia, com mais de 500 assistentes. Para a conclusão do seminário, amanhã, está prevista uma concentração anti-imperialista no Coliseu Santa Rosita, em Santa Cruz, onde 9 de Agosto deverá ser proclamado como Dia Internacional de Condenação dos Crimes Norte-americanos contra a Humanidade.

Oscar López Rivera

López Rivera esteve 36 anos encarcerado nos EUA em virtude da sua luta a favor da independência de Porto Rico. Passou cerca de 12 anos em isolamento total.

Nascido a 6 de Janeiro de 1943, Rivera juntou-se à luta clandestina a favor da independência de Porto Rico em 1976, integrando-se nas fileiras das Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), organização em que militava quando foi preso pelo FBI, em 1981. No momento da sua captura, reclamou a condição de «prisioneiro de guerra» prevista na Convenção de Genebra, de 1949, algo que sempre lhe negaram.

Foi condenado a 55 anos de prisão e viu a pena aumentada para 70 por uma suposta tentativa de fuga. O preso político foi transferido em Fevereiro de 2017 para a ilha caribenha – actualmente um território sem personalidade jurídica dos Estados Unidos –, na sequência do indulto que lhe foi concedido, em Janeiro desse ano, pelo então presidente norte-americano cessante, Barack Obama.

Desde então, Rivera permaneceu em regime de prisão domiciliária em casa da sua filha Clarisa, até ser libertado, em 17 de Maio de 2017.

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