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Apoiantes de Evo fazem frente ao golpe de Estado na Bolívia

Grandes mobilizações em El Alto/La Paz e Cochabamba evidenciaram a resistência popular ao golpe de Estado. Nas instituições, os eleitos pelo Movimento para o Socialismo procuram também traçar outra rota.

População de El Alto com a wiphala, a bandeira índigena, que, com Evo Morales no poder, se tornou co-oficial, em 2008
População de El Alto com a wiphala, a bandeira índigena, que, com Evo Morales no poder, se tornou co-oficial, em 2008 Créditos / pagina12.com.ar

Com o quorum exigido, o Senado da Bolívia elegeu como sua nova presidente, esta quinta-feira, a eleita pelo Movimento para o Socialismo (MAS) Mónica Eva Copa, proveniente da cidade de El Alto, tal como o novo presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Choque, também do MAS, eleito esta quinta-feira e que, no seu primeiro discurso, exigiu o fim da repressão contra o povo nas ruas.

Com este passo, ambas as câmaras legislativas parecem regressar a uma certa «normalidade democrática», depois do golpe de Estado perpetrado no país andino-amazónico, que forçou a demissão de vários funcionários da administração do MAS, incluindo o presidente constitucionalmente eleito, Evo Morales, e o seu vice-presidente, Álvaro García Linera.

Em simultâneo, a presidente interina autoproclamada de forma inconstitucional, Jeanine Áñez, deu posse a mais cinco ministros que, nas suas palavras, têm como missão «pacificar a Bolívia». Não disse, contudo, que tal missão está ao serviço do capital, das multinacionais.

No entanto, as declarações de alguns membros do governo transitório inconstitucional e saído do golpe, com apoio da Polícia, das Forças Armadas, de grupos fascistas – seguindo o guião de Washington –, não deixam entrever nada de bom.

Por um lado, Arturo Murillo, que na quarta-feira foi «empossado» pela «autoproclamada da Bíblia» e a quem os indígenas parecem fazer muita urticária, anunciou uma caça aos «sediciosos», nomeadamente a Juan Ramón Quintana, ex-ministro da Presidência de Morales.

Também a ministra da Comunicação do governo transitório-golpista, Roxana Lizarraga, ameaçou os «jornalistas ou pseudo-jornalistas», nacionais e internacionais, que pratiquem a «sublevação».

Protestos cada vez maiores

Entretanto, ontem registaram-se grandes mobilizações contra o golpe de Estado, a autoproclamação de Áñez e em apoio a Evo Morales, com milhares de agricultores e indígenas a descerem da cidade de El Alto até La Paz. A Polícia e os militares não recorreram às motos para espancar os manifestantes, como noutras ocasiões, mas impediram-nos de se aproximarem da Praça Murillo, centro do poder político boliviano.

Num artigo publicado no Resumen Latinoamericano, o jornalista argentino Marco Teruggi afirma que as manifestações devem aumentar nos próximos dias, com a chegada à capital de mobilizações provenientes de zonas rurais do Interior do país, como os «cocaleros del Trópico», que esta quinta-feira se manifestaram contra o golpe de Estado na cidade de Cochabamba.

A forte repressão sobre as mobilizações contra o golpe de Estado provocou, pelo menos, 12 mortos, mais de 200 feridos e 500 detidos, segundo dados provisórios divulgados pela Prensa Latina.

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