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Israel expulsou 3000 palestinianos das suas casas em Jerusalém nos últimos 15 anos

As casas dos palestinianos em Jerusalém Oriental estão sob ameaça permanente; em muitos casos as autoridades israelitas forçam os palestinianos a demolir as suas habitações, revela um relatório.

Uma mulher palestiniana olha para as ruínas da sua casa demolida, no bairro de Beit Hanina, em Jerusalém Oriental
Uma mulher palestiniana olha para as ruínas da sua casa demolida, no bairro de Beit Hanina, em Jerusalém Oriental Créditos / trtworld.com

Entre 2004 e Março de 2019, «o município de Jerusalém deixou deliberadamente sem casa 2927 pessoas, 1574 das quais são menores», sublinha o Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados (B'Tselem) num documento publicado dia 28 de Abril.

O relatório, ontem divulgado pela agência Ma'an, precisa ainda que, no mesmo período, a referida autoridade municipal demoliu 830 casas, sendo que outras 120 foram demolidas pelos seus próprios donos por ordem do município.

O B’Tselem destaca que a entidade israelita leva a cabo políticas que provocaram, de forma deliberada, uma crise severa ao nível da construção para a população palestiniana, enquanto os bairros para judeus são amplamente financiados e se expandem.

«Israel expropriou mais de um terço da terra que anexou a partir da Margem Ocidental e construiu 11 bairros exclusivamente para judeus», diz o relatório, salientando que a construção destes bairros viola o direito internacional, uma vez que se encontram na Cisjordânia ocupada.

As autoridades israelitas recorrem a diversas estratégias para impedir os palestinianos de acederem à terra. De acordo com o relatório, em certos casos as autoridades declaram terras que são propriedade de palestinianos como «áreas de beleza paisagística», noutros casos como «parques nacionais», sendo que a construção e o desenvolvimento urbanístico se tornam proibidos.

Noutras partes dos territórios ocupados, extensas áreas, que podem abranger cidades e aldeias, são declaradas com frequência «zonas militares», o que obriga os residentes de tais áreas a abandonar as suas casas sempre que o Exército israelita nelas se instala.

Ameaça permanente de demolição

O B’Tselem afirma que, em Jerusalém Oriental, os palestinianos «não têm outra hipótese» senão construir sem licenças, na medida em que o município israelita raramente lhes garante o direito de construção. O município estima que, nos últimos cinco anos, tenham sido construídas ou aumentadas, sem autorização, entre 15 mil e 20 mil casas que são propriedade de palestinianos.

A este propósito a ONG afirma que «milhares de palestinianos [em Jerusalém] vivem sob a ameaça constante de demolição das suas casas ou lojas; em muitos casos, as autoridades concretizam a ameaça ou obrigam os moradores a demolirem as suas próprias edificações».

«Israel não encara os residentes de Jerusalém Oriental [os palestinianos] como seres humanos com direitos iguais, mas como gente que procura retirar de suas casas, já que são um obstáculo à judaização da cidade», denuncia o documento.

O organismo israelita de defesa dos direitos humanos sublinha que as políticas levadas a cabo por Israel com vista a limpar partes da cidade de palestinianos são «ilegais».

Colonização de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia ocupadas

Em Jerusalém Oriental, habitam mais de 250 mil palestinianos e cerca de 200 mil israelitas, que vivem em colonatos ilegais, uma vez que Jerusalém Oriental é considerada território palestiniano ocupado, não sendo a sua anexação por Israel reconhecida pelo direito internacional, lembra o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

De acordo com dados divulgados por este organismo, vivem em colonatos cerca de 650 mil israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupadas. Todos os colonatos são ilegais à luz do direito internacional, tal como reafirmou a resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU, de 23 de Dezembro de 2016.

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