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Israel admite que está a ajudar os curdos na Síria

A vice-ministra israelita dos Negócios Estrangeiros afirmou esta quarta-feira que o seu país está a usar «diversos canais» para apoiar os curdos na Síria, encarando-os como um «contrapeso à influência iraniana».

Milícias curdas junto a viatura miltar norte-americana na Síria
A vice-ministra israelita dos Negócios Estrangeiros admitiu que o seu país está a apoiar os curdos na Síria Créditos / detectivesdeguerra.com

«Estamos orgulhosos de tomar posição a favor do povo curdo», afirmou Tzipi Hotovely ao dirigir-se ao Knesset (Parlamento israelita), destacando que os curdos constituem um baluarte contra o «alastramento da influência iraniana na região».

A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros admitiu que Israel tem estado a dar ajuda aos curdos no Norte da Síria, desde que os Estados Unidos anunciaram, há cerca de um mês, que iriam retirar as suas tropas da região, abrindo assim caminho à ofensiva turca, iniciada a 9 de Outubro, contra as Unidades de Protecção Popular (YPG), que integram as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) e eram aliadas de Washington.

«Israel recebeu muitos pedidos de ajuda, sobretudo nos domínios diplomático e humanitário», disse a vice-ministra, citada pela agência Reuters, tendo acrescentado que o seu país «se identifica com a angústia profunda dos curdos» e que «os está a apoiar através de vários canais».

Tzipi Hotovely não especificou que tipo de assistência Israel está a prestar aos curdos, tendo apenas dito que, no «diálogo com os norte-americanos, [Israel] afirma a sua verdade relativamente aos curdos».

As afirmações de Hotovely representam uma confirmação de que Israel cumpriu a promessa feita a 10 de Outubro pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de apoiar o «nobre povo curdo».

No Knesset, Hotovely afirmou que Israel possui um «grande interesse em preservar a força dos curdos e de outras minorias no Norte da Síria como elementos moderados e pró-ocidentais», tendo ainda sublinhado que «um eventual colapso do domínio curdo no Norte da Síria é um cenário negativo e perigoso» para Israel.

A Reuters afirma que não conseguiu obter uma reacção dos curdos sírios a estas afirmações. No mês passado, alguns representantes das FDS pediram a Israel que interviesse face às incursões militares no Norte do país árabe. Antes disso, em meados deste ano, vieram a público diversas notícias sobre contactos e reuniões a vários níveis mantidas entre representantes israelitas e das FDS.

Recorrendo a milícias curdas ou a militantes de múltiplas organizações terroristas, Israel há muito que opera na Síria contra o governo de Damasco.

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