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James Jeffrey continua a violar a soberania da Síria

O enviado especial dos EUA para a Síria, James Jeffrey, voltou a entrar no país árabe e a percorrer uma parte do seu território sem contactar as autoridades de Damasco ou solicitar qualquer autorização.

Soldados norte-americanos em patrulha no nordeste da Síria, a 30 de Janeiro de 2020. Os EUA ocupam ilegalmente essa rica região petrolífera da Síria, na confluência de fronteiras com a Turquia e o Iraque
Soldados norte-americanos em patrulha no Nordeste da Síria, a 30 de Janeiro de 2020. Os EUA ocupam ilegalmente, em conjunto com as FDS, essa rica região petrolífera CréditosStaff Sgt. Jodi Eastham / US Army

Só este ano, é (pelo menos) a quarta vez que o Representante Especial dos Estados Unidos para Síria entra em áreas das províncias de Hasaka e Idlib. Manteve encontros com líderes aliados das chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), integradas na sua maioría por curdos.

«Sem precisar detalhes óbvios da incursão, o diplomata, que fala turco, alemão e francês, chegou sem qualquer autorização ou contacto com as autoridades legítimas de Damasco», refere a Prensa Latina.

Numa conferência de imprensa esta quinta-feira, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, classificou a acção de Jeffrey como uma «violação flagrante» da «soberania de um país independente» e do «direito internacional».

Jeffrey, cujos «serviços» lhe valeram a distinção do Departamento de Estado, em 2011, e da Agência Central de Inteligência (CIA), no ano seguinte, continuou a «honrar», nesta incursão mais recente, os «propósitos intervencionistas, confusos e obviamente enganadores dos Estados Unidos na região», revela a agência cubana, sublinhando que manteve encontros com «líderes» do Curdistão iraquiano, incluindo Nechirvan Barzani, «sob o pretexto divulgado da luta contra o Estado Islâmico (Daesh, em árabe)».

No entanto, diversas fontes – em que se incluem fontes oficiais do governo sírio – destacam que tais premissas vão contra a alegada derrota do Daesh na Síria e no Iraque – pela qual os EUA assumiam os créditos e se vangloriavam – e, de facto, «contêm a falta de respeito absoluta pela soberania de ambos os países».

Em Janeiro deste ano, James Jeffrey declarou que iria prosseguir a cooperação com as FDS e incluiu em futuras «negociações» relacionadas com a província síria de Idlib a organização – definida como terrorista – Junta para a Libertação do Levante, a antiga Frente al-Nusra.

Jeffrey, que tem atacado reiteradamente a Rússia pelo apoio que dá ao governo sírio e por não se pôr a jeito do intervencionismo norte-americano, é menos prolixo ao abordar o papel que tem sido assumido pelos EUA em termos de apoio a organizações extremistas – como as que atacam o Exército Árabe Sírio a partir da base ilegal de al-Tanf, junto à fronteira com a Jordânia e o Iraque.

As fontes que se baseiam em realidades no terreno – acrescenta a Prensa Latina – lembram que Jeffrey também não fala das contínuas caravanas de equipamento militar e logístico que os Estados Unidos introduzem no Nordeste da Síria a partir do Curdistão iraquiano ou do controlo, em conjunto com as FDS, das jazidas de petróleo e gás em Deir ez-Zor e Raqqa.

Para a agência cubana, «o diplomata norte-americano de alta patente, com experiência em questões políticas, de segurança e energéticas no Vietname, no Médio Oriente, na Turquia, na Alemanha e nos Balcãs, evidencia a inquietante realidade da política de Washington na região», que visa, sobretudo, «o não reconhecimento e a destruição da independência e soberania» da Síria.

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