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Internacionalistas aprofundam conhecimento da Venezuela

Os membros da 3.ª Brigada Internacionalista Che Guevara, provenientes de EUA, Jamaica e Brasil, estão há 1 semana na Venezuela, procurando conhecer o país e contribuir para «desmontar a campanha mediática».

Os membros da 3.ª Brigada Internacionalista Che Guevara no Bairro de Petare
Os membros da 3.ª Brigada Internacionalista Che Guevara no Bairro de Petare Créditos / @CancilleriaVE

Ao logo da semana, os 12 norte-americanos, dois jamaicanos e o brasileiro que integram a actual Brigada Internacionalista Che Guevara têm mantido encontros com as autoridades venezuelanas, com associações de bairro, colectivos que defendem a habitação como um direito e lutam contra a especulação.

Tendo como objectivo conhecer a realidade venezuelana, elaborar propostas para reforçar a solidariedade internacionalista em torno do país caribenho e contribuir para refutar a «campanha mediática negativa» lançada contra ele, os membros da 3.ª Brigada Internacionalista Che Guevara instalaram-se, desde sábado, na Escola Nacional Robinsoniana, em Caracas.

Membros da Brigada debatem as medidas impostas pelos EUA contra a Venezuela Créditos

Ontem, deslocaram-se até ao bairro caraquenho de Petare, onde visitaram o Núcleo Cacica Urimare do Movimiento Otro Beta – uma instituição devotada ao reforço do processo de ensino, nomeadamente na área de Artes e Ofícios.

A agenda destes internacionalistas tem estado preenchida com muitas actividades deste género. A título de exemplo, na quinta-feira, visitaram a comuna «El Panal 21», na parte ocidental de Caracas, depois de, na parte da manhã, terem ido ao «Campamento de Pioneros 22 de Enero», na região oriental da cidade (município de Chacao), onde ficaram a conhecer a luta deste colectivo pelo direito à habitação e contra a especulação, bem o trabalho que leva a efeito para garantir habitação digna a mais de 500 famílias – informou numa nota o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros.

As «sanções» e os seus efeitos

Também no âmbito das actividades da Brigada, os jovens debateram «as origens, as consequências e o contexto» que marcam a imposição, por parte da administração norte-americana, de medidas coercitivas unilaterais contra a Venezuela.

No Bairro de Petare, no Núcleo Cacica Urimare do Movimiento Otro Beta Créditos

Num encontro em que participou Diego Sequera, do portal Misión Verdad, os membros da Brigada recordaram como Barack Obama declarou a Venezuela como uma «ameaça inusual e extraordinária» para a segurança dos EUA, a escalada de violência de Fevereiro de 2014, a campanha de extrema violência de 2017, e concordaram que as actuais medidas de Washington – e aliados – visam forçar uma mudança de governo no país sul-americano, com o intuito de se apoderarem dos seus recursos, e que tais acções são amparadas por uma «campanha mediática, que as pretende legitimar».

No encontro, foi afirmado que, desde 2014, mais de sete mil milhões de dólares da Venezuela foram bloqueados em 40 bancos internacionais e que o bloqueio provoca perdas milionárias ao Estado venezuelano – foi avançado o número de 130 mil milhões de dólares –, além de limitar a sua capacidade de importação de bens essenciais, como alimentos e medicamentos.

Queixa contra os EUA por crimes contra a humanidade

No passado dia 13, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, entregou na sede do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia (Países Baixos), uma missiva subscrita pelo presidente do país, Nicolás Maduro, por meio da qual se solicitou formalmente o início de uma investigação sobre crimes contra a humanidade que resultam das medidas coercitivas e unilaterais impostas pelos Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Jorge Arreaza à entrapa do TPI, em Haia, para formular a denúncia contra os EUA Créditos

«Estamos convictos de que as consequências destas medidas constituem crimes contra a humanidade; neste caso, contra a população civil da Venezuela», disse Arreaza numa conferência de imprensa em Haia, depois de ter entregado a missiva no TPI.

Estas medidas, disse, constituem uma nova modalidade do uso da força, numa violação flagrante da Carta das Nações Unidas e dos princípios mais elementares do direito internacional. «São armas de destruição massiva», frisou.

Na apresentação da queixa, o chefe da diplomacia venezuelana disse ainda que tais acções têm um fim político, visando uma mudança de governo por vias anticonstitucionais, revela a Prensa Latina.

«Se o TPI levar a cabo as investigações e conseguir dar com os responsáveis, encontrará cidadãos venezuelanos que pedem essas sanções», referiu Arreaza, naquilo que pareceu ser uma alusão aos pedidos reiteradamente formulados pelo autoproclamado presidente interino e ex-presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, de maior pressão económica sobre a «ditadura» – aquilo a que a «campanha mediática» costuma chamar «o regime de Maduro».

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