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Grupo de Puebla defende desdolarização da América Latina e Caraíbas

Terminou, este domingo, o IX Encontro do Grupo de Puebla. Entre as conclusões finais, destaca-se a integração regional e a defesa da desdolarização para fazer frente ao imperialismo norte-americano.

Bruno Rodríguez, ministro dos Negócios de Cuba, intervém a 1 de Outubro de 2023, na sessão de trabalho do IX Encontro do Grupo de Puebla, onde denunciou a acção do imperialismo na região 
Bruno Rodríguez, ministro dos Negócios de Cuba, intervém a 1 de Outubro de 2023, na sessão de trabalho do IX Encontro do Grupo de Puebla, onde denunciou a acção do imperialismo na região Créditos / @ProgresaLatam

«Apostamos na integração regional para defender a autonomia, a dignidade e a segurança material dos povos da América Latina e Caraíbas», disse na conferência de imprensa final Silvina Romano, do Conselho Latino-americano de Justiça e Democracia (Clajud).

Neste sentido, Romano afirmou a necessidade de reactivar a União das Nações Sul-americanas (Unasul) e defendeu o trabalho conjunto deste organismo com a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Instou a que se proceda à coordenação entre diversos organismos sub-regionais e à criação de uma nova arquitectura financeira adaptada às necessidades da região. A este respeito, Silvina Romano explicou que a desdolarização significa combater a hegemonia do dólar e poder utilizar um conjunto de moedas; não implica ter de abandonar a moeda norte-americana, como alguns meios de comunicação veicularam, disse.

Durante o encontro, que decorreu no Museu Internacional do Barroco, em Puebla (México), sob o lema «Em unidade avançamos», vincou-se a defesa da paz e o fim da guerra na Ucrânia; denunciou-se a aplicação de sanções como «imoral e ilegal»; alertou-se para a criminalização de dirigentes de esquerda por parte da comunicação social.

Os trabalhos do IX Encontro do Grupo de Puebla tiveram início a 30 de Setembro de 2023 / @ProgresaLatam

Ao intervir na sessão de trabalhos deste domingo, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, também fez a defesa da desdolarização, sublinhando que se trata de um processo imprescindível para que os países possam actuar de forma soberana e evitar que a administração dos EUA utilize a moeda como estratégia de ataque a países que não seguem os seus interesses, indica a TeleSur.

Face à actual arquitectura financeira, que considerou «anacrónica», Rodríguez afirmou que está a nascer um modelo financeiro mundial, promovido por países emergentes, que permitirá efectuar trocas comerciais «nas moedas locais, regionalizar o comércio com moedas próprias».

O IX Encontro do Grupo de Puebla contou com a participação de mais de 200 delegados, incluindo a de diversos dirigentes progressistas latino-americanos, como a da já referida Delcy Rodríguez, do ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, ou dos ex-presidentes Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Martín Torrijos (Panamá).

Fundado há quatro anos na cidade que lhe dá nome, o Grupo de Puebla afirma-se como um espaço de acção, reflexão e influência, fórum político e académico, na área da esquerda e do progressismo latino-americano.

Questões como o ambiente, a defesa dos direitos das mulheres, as migrações, o multilateralismo e a construção de sociedades mais justas e democráticas estiveram na agenda de um encontro que chamou a atenção para a actual situação na Guatemala, denunciando-a.

No encontro, o presidente eleito do país centro-americano, Bernardo Arévalo, disse que, na sexta-feira, o Ministério Público invadiu, pela quarta vez, a sede do Tribunal Supremo Eleitoral.

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