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«Grito dos excluídos» e «Tsunami da Educação» levam milhares às ruas contra Bolsonaro

O lema das mobilizações deste ano, que ocorreram em 132 cidades, foi «este sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade».

Créditoslineudo Meira / Brasil de Fato

O lema das mobilizações deste ano do chamado «Grito dos Excluídos», que ocorreram em 132 cidades, foi «este sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade». Para além das reivindicações contra a desigualdade social, o desemprego e a restrição de direitos à maioria da população brasileira, as manifestações deste ano ganharam o apoio dos estudantes contra os ataques ao sistema de ensino promovidos por Jair Bolsonaro e o seu ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Associações estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) juntaram-se aos protestos na maior parte das capitais, em mais uma edição do chamado «Tsunami da Educação», onde também se criticou as políticas do actual governo em relação ao desmatamento da Amazónia.

O Ministério da Educação brasileiro divulgou esta semana que, em 2020, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) só terá metade do orçamento de 2019. Na proposta de orçamento para o ano que vem, a perda prevista para a pasta é de 9%. 

Em São Paulo, o protesto começou às 9h na praça Osvaldo Cruz, região central. Entre os manifestantes, havia centenas de estudantes vestindo camisolas pretas - em sinal de «luto» – com o rosto pintado de verde e amarelo.

Este gesto é uma provocação ao presidente Jair Bolsonaro, que pediu à população que saísse às ruas vestindo verde e amarelo. Os jovens entoaram palavras de ordem como «Ô, cara pintada voltou!», e «Quero estudar, para ser inteligente, porque de burro já basta o presidente». A acção, que segundo os organizadores reuniu 15 mil pessoas, teve como destino final o Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera.

 «Força, Brasil! Coragem. Vai passar», disse o escritor português Valter Hugo Mãe, que participou na acção em São Paulo e afirmou que se solidariza com «a luta de todas as pessoas que estão a ser discriminadas pelo regime no Brasil».

Em Campinas, as mobilizações tiveram a participação de membros do acampamento Marielle Vive, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Cidades como Rio Claro, Mogi das Cruzes, São José do Rio Preto  e Sorocaba também participaram.

Em Vitória e no Rio de Janeiro também houve manifestações contra Bolsonaro e em defesa da soberania nacional e popular. Em Minas Gerais, aconteceram protestos em Belo Horizonte e Montes Claros.

A maior mobilização da região ocorreu em Brasília. Paralelamente ao desfile oficial de 7 de Setembro, realizado todos os anos pelo governo federal e as Forças Armadas na Esplanada dos Ministérios por ocasião do Dia da Independência, os manifestantes concentraram-se na Torre de TV, a poucos quilómetros, para exigir direitos sociais, direitos laborais, liberdade e soberania nacional.

A acção envolveu oficinas e um acto político-cultural, com a participação de representantes de mais de 50 organizações, entre religiosas, sindicatos, movimentos populares, associações de moradores e colectivos.

A indignação das ruas lembrou bandeiras como o movimento «Lula Livre», o combate à militarização nas escolas, a defesa da Amazónia e dos diferentes ecossistemas, além da crítica à reforma da Previdência e à política fiscal do presidente Jair Bolsonaro.

No Recife, a manifestação foi organizada por sectores da Igreja Católica, movimentos populares, organizações não-governamentais, estudantes e partidos de esquerda.

Dom Fernando Saburido, arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, afirmou que com aquele protesto seriam «as vozes daqueles que precisam de conquistar os seus direitos, por isso estamos aqui como Igreja, presente, cumprindo o nosso papel junto das pessoas mais pobres».

Também em Porto Alegre, manifestantes mostraram obras censuradas. As obras sobre «Independência em risco» foram expostas na Câmara dos Vereadores, mas acabaram recolhidas em menos de 24 horas por ordem da vereadora.

Com Brasil de Fato

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