|Brasil

O «Tsunami da Educação» levou milhares às ruas em todo o Brasil

Mais de 200 municípios, em todos os estados brasileiros, tiveram acções contra a reforma da Previdência e em defesa da Educação, denunciando a lógica privatizadora imposta pelo projecto «Future-se».

O «Tsunami da Educação» em Curitiba, capital do Paraná, foi precedido de uma assembleia pública para debater as ameaças do governo de Bolsonaro
O «Tsunami da Educação» em Curitiba, capital do Paraná, foi precedido de uma assembleia pública para debater as ameaças do governo de Bolsonaro CréditosEduardo Matysiak / Brasil de Fato

Ao longo desta terça-feira, as ruas do Brasil encheram-se de mobilizações em defesa da Educação e contra a reforma da Previdência, tal como ocorreu nas duas grandes jornadas de protesto promovidas pelo sector da Educação, a 15 e 30 de Maio.

Ontem, milhares de trabalhadores, dirigentes sindicais e membros dos movimentos populares juntaram-se a estudantes e professores para denunciar as políticas neoliberais do governo de Bolsonaro, numa jornada de luta que foi designada como «Tsunami da Educação» e que contou com acções de protestos em todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Em destaque nas mobilizações de ontem esteve a denúncia do projecto «Future-se», com o qual o governo de Bolsonaro prevê a criação de um fundo de 102 mil milhões de reais [mais de 22 mil milhões de euros] para atrair investimentos internacionais para o Ensino Superior, mas que, segundo reitores e ex-ministros da Educação, ameaça a autonomia orçamental das universidades e constitui um ataque à gratuitidade do ensino.

Também a União Nacional dos Estudantes (UNE), que convocou a jornada de mobilização, alertou para o «viés privatizador» do programa «Future-se», sublinhando que precisa de ser combatido, ao mesmo tempo que exigiu a garantia de financiamento público do Ensino superior, informa o Brasil de Fato.

Contra a privatização do ensino, mobilizações pelo Brasil afora

No Ceará, as manifestações não se limitaram à capital, Fortaleza, tendo havido vários actos e aulas públicas noutros pontos do estado sobre o programa «Future-se» e contra a privatização do ensino público. No estado de Pernambuco, houve manifestação no Recife, promovida por várias organizações estudantis, em Caruaru e Petrolina, onde cerca de 500 pessoas se juntaram em Luta Pela Educação e Contra a Reforma da Previdência.

Mobilização em Brasília CréditosRafael Tatemoto / Brasil de Fato

Presente no acto, Raimunda de Souza, professora de Geografia da Universidade de Pernambuco, disse ao Brasil de Fato que a mobilização visa mostrar o posicionamento contrário da população à actual agenda política do Congresso e do Ministério da Educação, sublinhando que Jair Bolsonaro «não consegue compreender que a Educação é primordial no desenvolvimento de um país, tanto a educação básica quanto o ensino superior».

Ainda no Nordeste, registaram-se manifestações em defesa da Educação e contra a política de cortes do actual governo brasileiro em Salvador (Bahia), João Pessoa (Paraíba), Maceió (Alagoas), Aracaju (Sergipe) e Natal (Rio Grande do Norte).

Por seu lado, no Norte, estudantes, professores, funcionários públicos manifestaram-se em Manaus (Amazónia) e Belém (Pará) contra o projecto do governo de Bolsonaro. No Centro-Oeste do país sul-americano, houve mobilizações em Brasília (Distrito Federal), onde também se realizou a Primeira Marcha das Mulheres Indígenas, em Goiânia (Goiás) e Cuiabá (Mato Grosso).

Mobilizações no Sul e no Sudeste: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre

No estado do Rio de Janeiro, o município de Barra do Piraí foi palco de uma aula pública de debate sobre Educação e Previdência. Na cidade do Rio, realizam-se várias acções de protesto, a maior das quais ocorreu na Candelária, tendo reunido 40 mil pessoas, segundo a organização.

Em São Paulo, o interior do estado teve várias acções de protesto, enquanto na capital se estima que cerca de 100 mil pessoas tenham participado na mobilização principal.

Milhares manifestaram-se em Porto Alegre CréditosCaco Argemi / Mídia Ninja

Por seu lado, na capital mineira, Belo Horizonte, milhares de pessoas juntaram-se contra o programa «Future-se» e a reforma da Previdência. Em Minas Gerais, há registo de acções também em Viçosa, Uberlândia, Juiz de Fora e São João del Rei.

Mais a sul, em Florianópolis (Santa Catarina), pelo menos 5000 pessoas mobilizaram-se em defesa da Educação e da Previdência, enquanto Curitiba (Paraná) foi palco de uma mobilização com 10 mil pessoas – precedida de uma assembleia pública onde foram debatidas as ameaças do governo de Bolsonaro.

No Rio Grande do Sul, estudantes e trabalhadores manifestaram-se em várias cidades. Na conhecida esquina democrática de Porto Alegre, uma concentração contra as políticas neoliberais de Bolsonaro reuniu mais de 30 mil pessoas, segundo os organizadores.

Tópico