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Golpistas venezuelanos escreveram carta ao Comando Sul dos EUA

Delcy Rodríguez condenou de forma veemente, esta segunda-feira, as acções da extrema-direita, cujos dirigentes procuram activamente a «ingerência estrangeira» e uma «intervenção militar» no país.

Delcy Rodríguez mostra a carta enviada ao Comando Sul dos Estados Unidos pelo dirigente da oposição Carlos Vecchio, «mais uma prova dos crimes de lesa-pátria» da oposição golpista
Delcy Rodríguez mostra a carta enviada ao Comando Sul dos Estados Unidos pelo dirigente da oposição Carlos Vecchio, «mais uma prova dos crimes de lesa-pátria» da oposição golpista Créditos / @ViceVenezuela

Numa conferência de imprensa pronunciada ontem em Caracas, a vice-presidente executiva da República, Delcy Rodíguez, rejeitou categoricamente a missiva enviada no passado dia 11 ao chefe do Comando Sul dos EUA (SouthCom), almirante Craig S. Faller, pelo dirigente da oposição golpista Carlos Vecchio, «por instruções do presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó».

Vecchio, que foi nomeado embaixador em Washington pelo «autoproclamado» Guaidó, dirigente do partido de extrema-direita Voluntad Popular, expressa a disponibilidade dos golpistas venezuelanos «para iniciar as conversações respeitantes à cooperação» que lhes foi oferecida pelo Comando Sul.

«Refutamos o disparate de um dos golpistas que pede a intervenção militar na Venezuela em nome de um grupo de golpistas que executam acções terroristas para gerar instabilidade na Venezuela», disse Delcy Rodríguez, citada pela VTV.

Carta enviada por Vecchio ao SouthCom Créditos

«A carta enviada ao Comando Sul dos Estados Unidos pelo dirigente da oposição Carlos Vecchio constitui mais uma prova dos crimes de lesa-pátria em que incorrem», frisou a vice-presidente, acrescentando que a direita «parece não medir as consequências das suas acções, que envolvem condutas altamente irresponsáveis».

Sublinhando que todos os planos da oposição venezuelana «estão destinados ao fracasso» e que não vão afectar a vida dos venezuelanos, Rodríguez mostrou-se convicta de que «não haverá uma intervenção militar» no país sul-americano, «nem divisão no seio da Força Armada Nacional Bolivariana».

Constituição veta possibilidade de pedido de intervenção armada

A deputada e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), María Alejandra Díaz, comentou o «insólito» pedido de «intervenção» na Venezuela, dirigido aos militares norte-americanos por parte da extrema-direita venezuelana representada na Assembleia Nacional (AN) – órgão que se encontra em situação de «desobediência jurídica» perante o Supremo Tribunal de Justiça desde 2016.

Díaz classificou como «traição» o facto de que tais indivíduos, sobretudo o que se «autoproclamou» como «presidente interino», Juan Guaidó, anunciem ao mundo o seu pedido a Washington de uma intervenção armada. «O governo norte-americano, que não respeita nada, em conjunto com estes senhores que se fazem chamar venezuelanos e não o merecem cometem crimes contra a pátria, crimes contra a ordem constitucional», disse a deputada, que é também advogada, em declarações à imprensa.

A constituinte explicou que a Constituição bolivariana, nos artigos 1.º e 13.º, impede qualquer cidadão venezuelano de solicitar a um país estrangeiro uma intervenção e invasão militar. Esclareceu ainda que, constitucionalmente, o presidente eleito do país está autorizado a estabelecer diversos tipos de cooperação com outros países.

«O único que pode solicitar ou autorizar uma medida de ajuda tem de ser o presidente constitucional da República. A AN, por si só, não o pode fazer e muito menos este senhor, que usurpa funções», frisou a representante da ANC, citada pela Prensa Latina.

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