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Franceses novamente nas ruas contra a reforma das pensões

França viveu, esta terça-feira, a 14.ª jornada de mobilização contra a reforma das pensões, na antevéspera de um eventual debate sobre um projecto de lei para revogar o aumento legal da idade da reforma.

Manifestação em Bordéus contra a reforma das pensões, a 6 de Junho de 2023 
CréditosLaurent Theillet / sudouest.fr

A 14.ª jornada nacional de mobilizações no espaço de cinco meses contra a reforma aprovada por Macron levou milhares de pessoas para as ruas de França – 900 mil, de acordo com os sindicatos, 300 mil das quais em Paris.

Além da capital, também foram palco de mobilizações cidades como Lyon, Rennes, Toulouse, Nantes, Bordéus, Caen ou Marselha, no contexto de uma jornada em que estavam previstas cerca de 250 acções.

A rejeição da norma que aumenta a idade legal da reforma dos 62 para os 64 anos tornou-se mais intensa depois de o presidente da República, Emmanuel Macron, ter decidido recorrer, em Março último, ao artigo 49.3 da Constituição, que permite fazer avançar projectos sem aprovação parlamentar.

Desde então, Macron tem insistido na necessidade da medida com o argumento conhecido de evitar o colapso do sistema de pensões, estimando que a reforma aprovada por decreto traga 18 mil milhões de euros ao país nos próximos anos.

No entanto, sindicatos e demais opositores à medida apontam que a reforma prejudica os trabalhadores mais pobres e insistem na necessidade de aumentar os impostos às empresas e aos mais ricos.

«Não nos damos por vencidos»

De acordo com a imprensa francesa, houve perturbações nalguns aeroportos e nos serviços ferroviários, com alguns voos e viagens de comboio cancelados.

Para Laurent Berger, dirigente sindical da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), «o sindicalismo voltou». «Voltou às ruas, às empresas, aos números de trabalhadores filiados», destacou, referindo-se às mobilizações que têm tido lugar em França desde meados de Janeiro.

Por seu lado, Joël Garnier, delegado sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT), sublinhou a necessidade de continuar a insistir na questão da revogação da reforma aprovada.

«Por trás, está a política de austeridade, estão as agências de rating que mantêm o nosso AA, mas na condição de continuarmos a atacar os serviços públicos, a segurança social. É por isso que estamos em greve e não nos damos por vencidos», afirmou, citado pela France 24.

«O jogo não acabou»

O teor da reforma e o modo como foi aprovada, antes de ser promulgada por Macron, em Abril último, levou milhões de trabalhadores franceses para as ruas.

Jean-Luc Mélenchon, ex-candidato à Presidência da República, afirmou que «o jogo não acabou», lembrando que se avizinha o debate no Parlamento com vista a revogar a reforma. «Vamos levá-lo até ao último minuto, até ao último segundo», frisou, em alusão à proposta apresentada pelos deputados do LIOT, que procura repor a idade legal de reforma nos 62 anos.

Em comunicado ontem emitido, a CGT apela às instituições para que o projecto de lei possa ser votado, sob pena de se «aprofundar ainda mais a crise democrática» e de abrir as portas «a uma crise institucional».

Também afirma que, se governo e patronato continuarem a não ouvir as exigências dos trabalhadores, a luta vai prosseguir.

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