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Firmeza da Síria na guerra foi chave para «transformações no mundo»

Numa entrevista a uma TV, a assessora presidencial Bouthaina Shaaban analisou a situação internacional, afirmando que «o fracasso da guerra terrorista» levou à intervenção directa de Turquia e EUA na Síria.

Soldado do Exército Árabe Sírio (imagem de arquivo)
Soldado do Exército Árabe Sírio (imagem de arquivo) Créditos / Middle East Eye

«A firmeza da Síria durante os anos de guerra contra o país foi essencial para as transformações que estão a ter lugar no mundo», disse Bouthaina Shaaban numa entrevista ao canal al-Souriya TV.

No entender da assessora especial do presidente Bashar al-Assad, a Síria não tem outra alternativa que não seja «continuar firme, para diante, por todos os meios possíveis, em cooperação com os amigos e aliados, e fazer frente aos países ocidentais que procuram dominar-nos».

«Hoje, defendemos a nossa cultura e o nosso futuro», afirmou, frisando que «a Síria regressará unida, por mais que dure a ocupação».

Bouthaina Shaaban disse que «as guerras lançadas pelo Ocidente têm como objectivo fragmentar países a partir de dentro e formar blocos regionais contra certos países com decisões soberanas», indica a agência Sana.

De acordo com a assessora presidencial da Síria – país aliado da Rússia e do Irão –, «aquilo que se está a passar actualmente no país persa faz parte de um plano sistemático para atingir o eixo da resistência e responde a uma estratégia que visa desgastar o Irão e a Rússia – que, no seu entender, luta por um mundo multipolar – e manter o cerco à Síria».

Na entrevista, citada pela Sana, Shaaban disse que o seu país, sob a liderança de Bashar al-Assad, «está centrado na concretização de fórmulas comuns e reais de acção árabe, não formalidades e decisões que não são implementadas, e retórica que não conduz a quaisquer resultados».

Como exemplo de passos concretos, reais, de acção comum árabe, referiu-se àquilo que Síria, Argélia e Omã estão a fazer. Não se trata de algo para «fazer reuniões», mas um «método de acção conjunta árabe», a que «outros países se podem juntar», disse.

Ocupações turca e norte-americana têm de acabar

No passado dia 20, a Turquia lançou a Operação Garra-Espada, intensificando os bombardeamentos no Norte e Nordeste da Síria (e também no Curdistão iraquiano) contra membros das forças curdas PKK e YPG, alegando o governo turco que militantes curdos estão por trás do atentado que, no dia 13 de Novembro, provocou a morte a seis pessoas e deixou mais de 80 feridas no centro de Istambul.

Ontem, em declarações subsequentes à 19.ª ronda das conservações de Astana, o vice-ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Ayman Sousan, condenou tanto a presença militar da Turquia como a dos Estados Unidos em território sírio, tendo afirmado que violam o direito internacional e devem terminar de imediato e de forma incondicional.

Na entrevista de hoje, Shaaban também se referiu à presença turca e norte-americana no país, afirmado que «o fracasso da guerra terrorista contra a Síria levou a Turquia e os Estados Unidos a intervir directamente para defender os seus agentes».

Acrescentou que a Síria esteve quase a libertar a região de al-Tanf, junto à fronteira com o Iraque e a Jordânia, e que tal não aconteceu «devido à intervenção directa dos Estados Unidos, para manter ali os seus terroristas».

Referindo-se especificamente à Turquia, Bouthaina Shaaban classificou como «fúteis» os argumentos que avança para bombardear o país e «justificar a presença de grupos terroristas que operam sob a sua alçada no Noroeste da Síria».

Disse ainda que nenhum país tem o direito de defender a sua segurança dentro das fronteiras de outro.

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