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«Principal causa dos conflitos no Médio Oriente é a ocupação dos territórios árabes»

O representante permanente da Síria junto das Nações Unidas, Bashar al-Jaafari, denunciou o papel de diversos estados, incluindo os EUA, no apoio à «guerra terrorista» que tem devastado o seu país.

Bashar al-Jaafari acusou os EUA de treinarem terroristas em 19 pontos do território sírio
Bashar al-Jaafari acusou os EUA de treinarem terroristas em 19 pontos do território sírioCréditos / Al-Masdar News

Intervindo esta segunda-feira numa sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), Bashar al-Jaafari disse que «a Síria crê que a principal causa dos conflitos no Médio Oriente foi e ainda é a ocupação israelita dos territórios árabes», incluindo os Montes Golã sírios.

Em seu entender, quaisquer tentativas de gerar artificialmente novas crises com o propósito de salvar a entidade israelita apagando a causa palestiniana irão fazer aumentar as tensões e escalar as ameaças à paz e segurança internacionais.

Al-Jaafari lembrou que a Síria é alvo de uma «guerra terrorista» há oito anos, na qual estiveram envolvidos muitos governos, que a apoiaram e alimentaram, nomeadamente através da atribuição de fundos a grupos terroristas.

«Esses governos – que Al-Jaafari não nomeou – distribuíram milhares de milhões de dólares para militarizar a situação na Síria, tendo criado e financiado grupos terroristas armados», disse, citado pela agência SANA. Acrescentou que alguns países que «praticam a agressão militar directa e ocupam o território de outros pela força depois definem a agressão e a ocupação como "guerra contra o terrorismo"».

«EUA continuam a treinar terroristas»

O diplomata sírio referiu-se directamente à agressão militar norte-americana contra o seu país, tendo acusado «os EUA de continuarem a treinar terroristas em 19 pontos ocupados do território sírio, incluindo [a base militar de] al-Tanf e o acampamento [de refugiados] de al-Rukban», localizados junto à fronteira síria com o Iraque e a Jordânia, «fornecendo-lhes armas e munições».

Acusou aindas as forças norte-americanas de facultarem aos terroristas do Daesh [Estado Islâmico] a possibilidade de lançarem mais ataques contra o Exército Árabe Sírio.

Recorde-se, a este propósito, que as autoridades de Damasco têm denunciado de forma reiterada, nomeadamente em cartas enviadas ao secretário-geral das Nações Unidas e ao CSNU, a presença e a acção militar na Síria da chamada coligação internacional liderada pelos EUA, exigindo a sua retirada imediata do país árabe.

O papel turco

Referindo-se a declarações feitas pelo embaixador turco junto das Nações Unidas, de acordo com as quais «o seu país lutou contra o terrorismo no Norte da Síria e libertou cerca de 4000 quilómetros quadrados», o embaixador sírio afirmou que, de acordo com os princípios do Direito Internacional, nenhum Estado pode entrar no território de outro sem a autorização do seu governo.

Al-Jaafari acusou ainda a Turquia de ser responsável por promover o terrorismo na Síria, sobretudo no Norte do país, na medida em que permitiu a passagem dos terroristas para o território sírio, os financiou e treinou.

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