O gabinete de imprensa do governo da Faixa de Gaza sublinhou que o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que este domingo se assinalou, aponta para «uma realidade catastrófica e sem precedentes para os jornalistas palestinianos» no enclave costeiro, devido à ofensiva genocida lançada pela ocupação israelita, que «transformou o trabalho jornalístico numa missão repleta de perigos e de ataques directos».
A 3 de Maio, o mundo destaca «a importância de proteger o trabalho jornalístico e de preservar a liberdade de opinião e expressão como pilares fundamentais de qualquer sistema democrático e garantia do direito dos povos ao acesso à verdade», lê-se num texto divulgado pelo gabiente este sábado.
De acordo com o documento, citado pela agência iemenita Saba, pelo menos 262 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram mortos desde o início da agressão, constituindo «uma prova irrefutável de uma política sistemática que visa silenciar a voz palestiniana e impedir que a verdade chegue ao mundo».
Ao elevado número de jornalistas mortos pela ocupação juntam-se mais de 420 trabalhadores do sector feridos – alguns dos quais sofreram amputações graves e deficiências permanentes –, bem como 50 jornalistas detidos «em condições extremas» e três desaparecidos.
Responsabilidades e silêncio
«O inimigo israelita é plenamente responsável pelos ataques, assassinatos e detenções de jornalistas», denunciou o gabinete de imprensa, que atribuiu igualmente responsabilidades «por estes crimes» a países como EUA, Reino Unido, Alemanha e França, uma vez que «prestam cobertura política e militar» a Israel.
O texto critica também o «silêncio internacional perante estes crimes», que «mina gravemente o sistema de justiça internacional e representa um estímulo implícito à perpetuação das violações».
Neste sentido, o gabinete exortou o mundo, os órgãos de comunicação e as federações de jornalistas a adoptarem «medidas imediatas e concretas com vista a travar os crimes contra jornalistas palestinianos»
«Aquilo que está a acontecer na Faixa de Gaza é uma tentativa sistemática de assassinar a própria verdade», alertou o organismo, antes de reafirmar o compromisso com os «jornalistas mártires», cuja «mensagem há-de perdurar».
As agressões contra jornalistas palestinianos destacadas a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa enquadram-se na ofensiva mais vasta contra o povo palestiniano, na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.
Dados divulgados por fontes médicas este domingo, revelados pela Wafa, apontam para 72 610 pessoas mortas e 172 448 feridas no enclave desde o início da agressão genocida, em Outubro de 2023.
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