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Exército sírio e aliados quebram cerco a Deir ez-Zor

As forças do Exército Árabe Sírio (EAS), apoiadas pelos seus aliados, alcançaram esta terça-feira a cidade de Deir ez-Zor, no Leste da Síria, quebrando o cerco que os terroristas do Daesh impunham às zonas sob controlo governamental há quase três anos.

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Um soldado do Exército Árabe Sírio faz o sinal da vitória em Deir ez-Zor
Um soldado do Exército Árabe Sírio faz o sinal da vitória em Deir ez-ZorCréditos / RT

A televisão estatal síria e a agência Sana informaram que o EAS e as forças aliadas alcançaram, ontem, a base da 137.ª Brigada, nas imediações da cidade, localizada à beira do rio Eufrates, cerca de 450 quilómetros a nordeste da capital, Damasco.

Esta acção no terreno rompeu, de forma efectiva, o cerco que o Daesh impusera à cidade desde Janeiro de 2015 e teve uma forte carga simbólica, na medida em que a 137.ª Brigada resistiu, neste período, às tentativas constantes dos terroristas de se apoderarem da cidade por completo.

Também na terça-feira, o Ministério russo da Defesa anunciou que uma das suas fragatas no Mediterrâneo, a Almirante Essen, tinha disparado mísseis Kalibr contra instalações do Daesh junto a Deir ez-Zor. O ataque visou facilitar o avanço das tropas sírias e frustrar os planos dos terroristas de reagrupar as suas forças.

«O ataque eliminou um grande número de terroristas e destruiu vários postos de comando, um centro de comunicações, armazéns de armas e munições e uma fábrica para reparar veículos blindados», precisou o Ministério da Defesa da Rússia em comunicado, citado pela Sputnik.

Bashar al-Assad: «Exemplo para as gerações vindouras»

Numa conversa telefónica com o major-general Rafiq Shahada, chefe do Comité de Segurança em Deir ez-Zor, o major-general Hassan Mohammad, líder da 17.ª Divisão, e o brigadeiro-general Issam Zahr Eddin, líder da 104.ª Brigada da Guarda Presidencial, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, felicitou as tropas do EAS pelo seu «sacrifício, dedicação e grande sentido de responsabilidade no cumprimento das suas tarefas e protecção dos civis» contra os grupos terroristas.

«Vocês serão um exemplo para as gerações vindouras», disse Bashar al-Assad, sublinhando que a História não irá esquecer «os camaradas que sacrificaram as suas vidas em defesa da pátria». Alguns, mesmo feridos, continuaram no campo de batalha. «O seu sangue puro gerou uma vitória estrondosa sobre os terroristas, apoiados a nível regional e internacional», disse o presidente sírio, citado pela Sana.

Vitória com «significado estratégico»

As tropas sírias e os seus aliados, apoiados pela aviação russa, mantinham há meses uma ofensiva em direcção a Deir ez-Zor, a capital de uma província rica em petróleo. Nesse processo, o Daesh, que em 2015 controlava cerca de 70% do território sírio, foi perdendo rapidamente terreno. De acordo com o Ministério russo da Defesa, só nos últimos meses a área sob controlo de Damasco aumentou 2,5 vezes.

Em meados de 2014, as forças do Daesh dominaram grande parte da província oriental da Síria, com uma extensa fronteira com o Iraque, e, no início de 2015, assumiram o controlo de algumas partes da sua capital, mantendo sitiadas cerca de 100 mil pessoas nas áreas que as forças governamentais conseguiram manter em seu poder.

Ontem, muitas centenas de habitantes de Deir ez-Zor vieram para as ruas festejar o fim do cerco e a vitória sobre os terroristas. Em todo o caso, uma fonte síria disse à Sputnik que se registam fortes combates a cerca de 40 quilómetros a sul da cidade e que ainda é prematuro falar do levantamento completo do cerco, que deve ocorrer nos próximos dias.

Em meados de Agosto, o Ministério russo da Defesa defendeu que a batalha em torno de Deir ez-Zor poderia significar um passo muito importante, se não decisivo, para a derrota do Daesh. Esta ideia foi reafirmada no sábado passado: «Derrotar o Daesh na região de Deir ez-Zor e levantar o cerco à cidade irão significar uma derrota estratégica para o grupo terrorista internacional na Síria.»

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