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Evo Morales anuncia novas eleições e apela à paz

O apelo do presidente boliviano à paz e o anúncio de marcação de novas eleições ocorre quando a extrema-direita à solta nas ruas anula as mais elementares liberdades democráticas ao povo boliviano.

Evo Morales durante a conferência de imprensa realizada em La Paz, Bolívia, a 30 de Outubro de 2019.
Evo Morales durante a conferência de imprensa realizada em La Paz, Bolívia, a 30 de Outubro de 2019.CréditosMartin Alipaz / EPA

O presidente de Bolívia, Evo Morales, anunciou este domingo novas eleições gerais, para as quais a composição do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) será renovada na totalidade. Em conferência de imprensa, o presidente boliviano indicou que «nas próximas horas a Assembleia Legislativa Plurinacional, em acordo com todas as forças políticas, estabelecerá os procedimentos».

As novas eleições deverão ser convocadas num prazo muito curto, para permitirem uma segunda volta e, ainda assim, a tomada de posse se realizar em Janeiro de 2020, tal como está constitucionalmente previsto. O presidente boliviano pretende cumprir o seu mandato constitucional até àquela data e fez um apelo a todos os bolivianos para que ajudassem à pacificação do País, noticia a Telesur.

A declaração de Evo Morales foi feita após ter sido divulgado um relatório preliminar da Organização de Estados Americanos (OEA), que se encontra a auditar o processo de votação e contagem das eleições realizadas no passado dia 20 de Outubro. O relatório não estava previsto é parece ser uma medida de emergência para tentar travar a onda de terror desencadeada na Bolívia por grupos de extrema-direita. O secretariado da OEA fez acompanhar a divulgação dos dados por um comunicado em que favorece a permanência de Evo Morales em funções até à tomada de posse de um novo presidente.

Em 30 de Outubro o Governo do Estado Plurinacional da Bolívia acordou com a Secretaria-Geral da OEA uma auditoria de análise à integridade eleitoral das eleições celebradas a 20 de Outubro, desde logo garantindo respeitar qualquer que fosse a decisão arbitral daquele organismo.

No sábado Evo Morales denunciou à comunidade internacional «o golpe de Estado posto em marcha por grupos violentos que atentam contra a ordem constitucional». Na sexta-feira convidara os partidos com assento parlamentar para um diálogo com vista à resolução pacífica da crise, mas Carlos Mesa e outros opositores, que têm apoiado as acções da extrema-direita, rejeitaram a proposta.

Segundo a Telesur, a alegação pela extrema-direita de uma suposta fraude eleitoral começou antes mesmo das eleições e foi o pretexto para uma campanha de violência e intimidação levada a cabo por grupos de jovens paramilitares, a partir do bastião reaccionário de Santa Cruz.

Destruição de centros de contagem eleitoral e queima de votos, assaltos a sedes de partidos e sindicatos, tomada e vandalização de meios de comunicação, assaltos e destruição de residências, violência bárbara contra pessoas – com particular acinte se são mulheres indígenas – têm sido práticas diárias desde há 18 dias, em boa parte do território boliviano.

A situação agravou-se nas últimas horas, após unidades policiais encarregues de defender os cidadãos da violência dos grupos paramilitares terem regressado aos quartéis, deixando a população sem defesa.

«Todos temos a obrigação de pacificar a Bolívia»

Para Evo Morales, a «convocação de novas eleições nacionais» permitirá que, «mediante o voto», o povo boliviano «possa eleger democraticamente as suas novas autoridades, incorporando novos actores políticos». O presidente não se pronunciou se, neste novo processo eleitoral, manteria a sua candidatura. As eleições gerais na Bolívia elegem o presidente, o vice-presidente e a Assembleia Legislativa Plurinacional, composta de uma câmara de deputados e oura de senadores.

O presidente pediu a ajuda do povo boliviano e da comunicação social para «baixar toda a tensão, todos, todas temos a obrigação de pacificar a Bolívia» e «respeito entre famílias, respeito a propriedades privadas, respeito a autoridades, respeito a todos los sectores sociais».

«Tudo o que temos na Bolívia é património do povo boliviano», lembrou Morales, apelando a que a que se retomasse uma convivência pacífica», «acabando com a violência para o bem de todos».

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