O Centro de Sindicatos Indianos (CITU) e a plataforma Samyukta Kisan Morcha (SKM) agradeceram aos milhões de operários e trabalhadores do campo que aderiram à jornada de luta por todo o país sul-asiático, destacando a enorme participação de trabalhadores de sectores informais e advertindo o executivo de Modi que tem de os ouvir.
A greve geral desta quinta-feira foi convocada conjuntamente por sindicatos e organizações de agricultores agrupadas na SKM para afirmar a luta dos direitos e denunciar as políticas do governo central, que – acusam – está ao serviço das grandes corporações.
Em causa estão políticas «contra o povo» que atacam direitos conquistados, fragilizam a contratação colectiva, promovem as subcontratações e o trabalho precário, denunciam as organizações sindicais, exigindo a revogação de legislação danosa aprovada pelo governo de extrema-direita.
Governo traiu agricultores
A SKM destaca que o governo de Modi traiu as promessas feitas em Dezembro de 2021 e que, desde então, ainda apresentou outras medidas que ferem gravemente os interesses dos trabalhadores e dos agricultores.
Estes contestam em particular a nova Lei da Electricidade, por encarecer o seu custo e afectar as camadas mais pobres, a Lei das Sementes – por atribuir às grandes multinacionais do sector o controlo do fornecimento e pôr em causa a soberania do país –, bem como o fim da lei que garantia o emprego rural num mínimo de cem dias.
Outra exigência central à jornada de luta foi a retirada dos acordos comerciais que a Índia assinou recentemente com os EUA e a União Europeia. Sindicatos, SKM e partidos de esquerda consideram-nos uma cedência da soberania do país e prejudiciais aos interesses de milhões de agricultores indianos.
Jornada de luta por todo o país
Em muitos estados da Índia foram registadas acções de luta e mobilizações no âmbito da greve geral, nomeadamente em Kerala, Bengala Ocidental, Orissa, Karnataka, Maharashtra, Punjabe, Haryana, Uttar Pradesh, Bihar, Tripura, Tamil Nadu, Andhra Pradesh, Telangana, Rajastão e Déli.
Em muitos locais, refere o Peoples Dispatch, aos operários e agricultores que se mobilizavam ou participavam em piquetes, juntaram-se profissionais liberais, estudantes, organizações de mulheres e outras.
Enquanto nalguns estados os trabalhadores tiveram de mostrar firmeza frente aos donos das fábricas e à Polícia – que tentavam obstaculizar os protestos e o direito à greve –, noutros, como Kerala, Orissa e Tripura, a grande maioria dos estabelecimentos encerrou, como forma de adesão à greve ou em sinal de apoio às reivindicações dos trabalhadores.
Por todo o país houve concentrações e manifestações, com milhares de pessoas a gritarem palavras de ordem, a exibirem bandeiras comunistas, e faixas e cartazes com reivindicações.
Sudip Dutta, presidente do CITU, afirmou que a greve é «apenas simbólica» e que, se o governo liderado por Narendra Modi não responder às reivindicações dos trabalhadores, deve preparar-se para greves maiores e mais longas nos próximos dias, indica o Peoples Disptach.
Os trabalhadores e os agricultores não vão permitir que o governo prejudique os seus interesses ou venda a soberania nacional aos EUA e a outras potências estrangeiras, disse.
Agudizar da luta de classes
Num texto publicado esta sexta-feira no Newsclick – «Greve de 12 de Fevereiro: luta de classes na Índia contemporânea» –, o economista Akhilesh Chandra Prabhakar destaca a grande dimensão da greve geral desta quinta-feira na Índia.
Em seu entender, trata-se de «um aviso político das massas trabalhadoras contra um sistema que concentra a riqueza nas mãos das corporações, ao mesmo tempo que empurra a maioria para a insegurança, o desemprego, a inflação e a exploração».
«Esta greve é uma clara manifestação da resistência crescente ao caminho capitalista do desenvolvimento e sinaliza o agudizar da luta de classes na Índia», afirmou.
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