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Encerramento de centro nuclear no Norte também coberto pela imprensa sul-coreana

Os jornalistas sul-coreanos juntam-se esta quarta-feira a colegas de outros países na Coreia Democrática para cobrir o desmantelamento de um centro nuclear, depois de serem convidados por Pyongyang.

O desmantelamento do centro de testes nucleares de Punggye-ri insere-se no processo de aproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da Coreia
O desmantelamento do centro de testes nucleares de Punggye-ri insere-se no processo de aproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da CoreiaCréditos / hindustantimes.com

Baik Tae-hyun, porta-voz do Ministério sul-coreano da Unificação, revelou que os jornalistas viajam esta quarta-feira num avião do governo até à localidade de Wonsan, no Nordeste da República Popular Democrática da Coreia (RDPC).

Manifestou ainda a satisfação de Seul pelo facto de a RPDC ter permitido que os seus órgãos de comunicação possam fazer a cobertura desse «importante acontecimento», desejando que tal constitua o ponto de partida para a desnuclearização total da Península coreana, segundo refere a Prensa Latina.

Jornalistas da China, da Rússia e dos Estados Unidos partiram ontem de Pequim com destino à RPDC, na sequência do convite que lhes foi endereçado por Pyongyang para estarem presentes no encerramento das instalações de testes nucleares de Punggye-ri, entre quarta e sexta-feira.

As autoridades norte-coreanas decidiram destruir o centro nuclear numa cerimónia pública, com o intuito de demonstrar «a sua vontade de avançar para uma paz duradoura» na península. Segundo o que foi divulgado, no processo incluem-se o derrube de túneis, o bloqueio das entradas e a eliminação de todas as áreas, centros de investigação e estruturas de unidades de guarda.

O desmantelamento do centro de testes nucleares insere-se na aproximação à República da Coreia, que teve um ponto alto na declaração histórica de Panmunjom, a 27 de Abril, e é encarado como uma reafirmação de que a Coreia Democrática está empenhada nesse processo.

Max Thunder 2018, travão à aproximação

Em todo o caso, o processo de aproximação entre Pyongyang e Seul – com a perspectiva de um encontro entre Kim Jong-un, líder norte-coreano, e Donald Trump, presidente dos EUA, também na agenda – esfriou recentemente devido aos exercícios militares Max Thunder 2018, que os EUA e a República da Coreia levam a cabo desde o dia 11, envolvendo mais de cem aviões.

De acordo com a PressTV, os jornalistas sul-coreanos foram deixados de fora da lista inicial de convidados de imprensa precisamente por causa deste exercício militar de grandes dimensões.

Recorde-se que, a 15 de Maio, a RPDC suspendeu o diálogo com o Sul por considerar esses exercícios uma «imprudência». Em comunicado, Pyongyang afirmou que as manobras bélicas referidas são os maiores exercícios do género alguma vez efectuados na região e que visam «elevar à máxima expressão as sanções e pressões» contra o país, constituindo «um ensaio de ataque preventivo aéreo contra a RPDC e a conquista do domínio aéreo de toda a Península Coreana», indica a Prensa Latina.

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