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Em Paris, prisão arbitrária de dirigente da Associação de Solidariedade com Palestina

O presidente da Associação de Solidariedade França Palestina foi detido à saída dos Negócios Estrangeiros, onde fora oficialmente recebido. O ministro do Interior proibiu uma manifestação em Paris.

Créditos / Association France Palestine Solidarité

O presidente da Associação de Solidariedade França Palestina (AFPS), Bertrand Heilbronn, foi preso esta quarta-feira ao deixar o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, em Paris.

Terá sido colocado sob custódia policial por «organizar uma manifestação proibida na via pública», segundo a organização e uma fonte judicial citada pela Franceinfo.

As autoridades classificaram de «manifestação proibida a delegação de sindicalistas, membros de partidos de esquerda e activistas da luta pela paz e pelos direitos humanos que acompanharam Heilbronn na entrega do protesto da AFPS a um representante representante de Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios estrangeiros.

A cena desenrolou-se, segundo o L'Humanité, «sob o olhar estupefacto da delegação», que incluia os deputados Elsa Faucillon (PCF) e Sabine Rubin (FI), a senadora Raymonde Poncet-Monge (EELV), Jean-Guy Greisalmer, da nião Judia Francesa pela Paz (UJFP), e Pierre Coutaz pela CGT.

O abuso de poder pelo prefeito da polícia de Paris, Didier Lallement, foi denunciado por muitas personalidades e associações. Bertrand Heilbronn foi finalmente libertado na noite de quarta para quinta-feira, na presença do seu advogado. À saída revelou, em entrevista ao L'Humanité, ter permanecido algemado durante a sua detenção.

Manifestação proibida em Paris

Entretanto, a manifestação de solidariedade com a Palestina, prevista para sábado, dia 15 de Maio, em Paris, foi proibida pela prefeitura da polícia, depois de ter sido inicialmente autorizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em justificação, Didier Lallement considerou «que existe um sério risco de que os violentos confrontos ocorridos nas últimas horas entre palestinianos e forças de segurança israelitas se espalhem pelo território nacional e que, neste contexto de fortes tensões, esta manifestação seja motivo de graves distúrbios à ordem pública entre partidários de uma ou outra das partes em conflito».

A Associação de Palestinianos em  Île-de-France (APIdF), promotora da manifestação, recorreu da decisão mas um tribunal confirmou esta sexta-feira a proibição, a pedido do ministro do Interior francês, e alargou-a às localidades de Marselha e Estrasburgo. Os organizadores mantêm a convocatória para as 15h de sábado, junto à estação de metro Barbès.

«Temo-nos manifestado pacificamente», afirmou Walid Atallah, um dos responsáveis da APIdF, para quem a França, com esta decisão, «mostra a sua cumplicidade com o Estado de Israel», que quer evitar manifestações de solidariedade com «os palestinianos que sofrem a ocupação, a colonisação e os bombardeios».

Os advogados dos organizadores acusam a França de ser «o único país democrático a interditar estas manifestações» e anunciaram «ir apelar junto do Conselho de Estado» contra a decisão, que coerta a liberdade de expressão e o direito de manifestação.

Ocorrerão este sábado manifestações de protesto contra a agressão isrelita à Palestina em mais de 40 localidades francesas, segundo a ASFP.

Em comunicado, a associação afirma que a proibição desta manifestação revela que «a liberdade de expressão e as liberdades públicas estão em perigo no nosso país» e que a detenção constitui um «limiar que foi ultrapassado».

A AFPS apelou à mobilização para acções «em toda a França» com o slogan «Proteger os palestinianos de Jerusalém, a França deve agir», no seguimento dos bombardeamentos israelitas em Gaza, que já causaram até esta sexta-feira 126 mortos, dos quais 20 mulheres e 31 crianças, mais de um milhar de feridos e mais de 10 mil deslocados.

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