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Em Kerala, não há lugar para o partido de Modi e os comunistas arrasam

Na ronda mais recente de eleições estaduais na Índia, o BJP sofreu derrotas consideráveis, enquanto os partidos seculares e regionais subiram. Em Kerala, a Frente de Esquerda venceu de modo folgado.

No estado de Kerala, o partido de Narendra Modi deixou de ter representação na Assembleia Legislativa 
No estado de Kerala, o partido de Narendra Modi deixou de ter representação na Assembleia Legislativa Créditos / indianexpress.com

Teve lugar no domingo, dia 2, a contagem dos votos das eleições para as assembleias legislativas dos estados de Kerala, Tamil Nadu, Bengala Ocidental, Assam e o Território da União de Puducherry.

As eleições foram celebradas ao longo de Abril e o período de campanha ficou marcado pelo discurso de ódio, a tentativa de manipulação e polarização religiosa, bem como por episódios de violência orquestrados pelo Bharatiya Janata Party (BJP) ou pela máquina ao seu serviço, situações que foram tendo eco na imprensa e que o Partido Comunista da Índia (Marxista) – PCI(M) – denunciou recentemente em comunicado.

Nos estados do Extremo Sul – Kerala e Tamil Nadu –, o discurso de polarização e ataque promovido pelo BJP saiu-lhe pela culatra, tendo sofrido derrotas arrasadoras. Em Bengala Ocidental, embora reforçando a sua presença, ficou a longa distância do partido vencedor.

Kerala: vitória por ampla margem da Frente de Esquerda

A Frente Democrática de Esquerda (FDE), liderada pelo PCI(M), conquistou 99 dos 140 assentos da Assembleia estadual (mais oito que em 2016). Os restantes 41 são agora ocupados pela Frente Democrática Unida, liderada pelo Partido do Congresso, e o BJP perdeu o único assento parlamentar que detinha. Desta forma, Kerala passa a ser o único estado sem representação parlamentar do partido de extrema-direita que governa a Índia.

Outro facto importante é o de, pela primeira vez nos últimos 40 anos, a aliança que estava no poder ir continuar a governar, quando a norma tem sido a alternância.

Tanto o Partido do Congresso como o BJP recorreram a múltiplos esquemas para evitar que isto acontecesse, que passaram por campanhas de ataque pessoal e manipulação mediática para desacreditar o trabalho realizado nos últimos cinco anos pela FDE.

Em declarações ao portal ndtv.com, o ministro-chefe Pinarayi Vijayan declarou que a vitória da Frente de Esquerda significava a derrota da polarização religiosa promovida pelo BJP e também dos esforços empenhados para derrotar a esquerda.

Neste contexto, criticou o partido de Rahul Gandhi por se centrar em Kerala, quando o devia fazer noutros estados da Índia, onde o adversário é o partido fundamentalista hindu e de extrema-direita de Narendra Modi.

Em seu entender, o povo de Kerala voltou a escolher a FDE por causa das medidas tomadas a favor das populações pelo governo, que ganhou grande apoio popular pela forma como lidou com a primeira vaga da pandemia de Covid-19 – enaltecida também fora do país – e pela política consistente de apoio social em tempos de crise.

Além disso, fez frente à divisão religiosa em que outros apostaram e investiu fortemente na Saúde pública e na Educação.

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