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Em cinco meses, 35 pessoas foram vítimas de «violência política» nas Honduras

Os dados, divulgados no final de Julho, abrangem um período que vai de 20 de Dezembro de 2020 a 26 de Maio de 2021 e servem de alerta para o período eleitoral que se avizinha.

Créditos / Presencia Universitaria

Migdonia Ayestas, coordenadora da entidade responsável pelo estudo, o Observatório Nacional da Violência (ONV), afirmou que nem a pandemia conseguiu travar estas acções que violam o direito à vida e à participação política dos cidadãos em processos de eleição a cargos.

O documento refere que os agentes políticos, «cuja função consiste em construir a estrutura dos partidos», são os principais alvos da violência, pois nove das agressões registadas foram contra dirigentes e oito contra militantes.

No total, indica o portal Presencia Universitaria, os factos verificados são 12 homicídios, dez coacções, seis ameaças, cinco atentados, uma coerção e um rapto, que, na sua maioria, tiveram como alvo militantes e votantes do Partido Nacional (21 dos 35 casos registados).

A «violência política» nas Honduras também visou elementos do Partido Liberal e do Partido Liberdade e Refundação (Libre), com quatro casos registados em cada partido.

Um dado alarmante, segundo o informe divulgado, é que os espaços públicos são os principais cenários da violência política (ali ocorreram 71% dos casos), «incluindo aqueles – espaços – que são guardados por autoridades da ordem pública», indica o documento.

O trabalho refere igualmente que, no contexto destas agressões, foram vítimas familiares de dirigentes ou candidatos a cargos políticos, de que é exemplo o caso ocorrido no município de Yoro, onde, num ataque a um elemento do Libre, ficou também ferida a sua filha de quatro anos.

Os 35 casos registados no período referido tiveram lugar nos 11 departamentos das Honduras, sendo o de Cortés o mais atingido pela «violência política» no país, que, destaca a ONV, aumentou o seu «carácter letal» contra candidatados e militantes políticos, apesar das medidas de contenção impostas pelo governo no contexto da Covid-19.

O documento alerta as autoridades para a necessidade de tomar medidas, tendo em conta que as eleições gerais são em Novembro próximo. 

«Nos últimos processos eleitorais, desde as primárias de 2012 até às gerais de 2017, foram mortos 98 agentes políticos», disse Ayestas, citada pelo Criterio HN.

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